6ª Bienal do Mercosul chega a SP

Chega a São Paulo a mostra Conversas, segmento que traz diálogos entre artistas

O público paulista poderá conhecer parte da bem sucedida 6ª Bienal do Mercosul que esteve em cartaz em Porto Alegre de 1º de setembro a 18 de novembro deste ano. Chega ao Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, um dos segmentos mais elogiados desta edição do evento, tanto pelo público quanto pela crítica, a mostra Conversas, exibida nos Armazéns do cais do porto, na capital gaúcha.

Em iniciativa inovadora, o curador geral Gabriel Pérez-Barreiro e o co-curador Alejandro Cesarco dedicaram parte da Bienal a uma nova experiência: o artista atuando também como curador. Em cada um dos nove núcleos determinados pela curadoria, o “artista-curador” escolheu para dialogar com a sua obra dois outros criadores, enquanto a dupla da Bienal sugeriu um nome para fechar cada “conversa”. No Instituto Tomie Ohtake serão exibidos cinco, dos nove núcleos:

Núcleo Pablo Chiuminato
Escolha do artista: vitrine com livros e Adolfo Couve
Escolha da curadoria: Katie van Scherpenberg
A obra de Pablo Chiuminato (sem título, 2006) é um óleo sobre tela, que registra uma paisagem quase imperceptível. Remete às questões de percepção, transcurso do tempo, do olhar sensibilizado para ver as coisas de uma forma diferente. O artista escolheu sua estante de livros porque acredita que sua principal influência vem deles. Conheceu grandes obras e grandes artistas através dos livros, suas referências pessoais. A vitrine contém 14 livros da sua própria coleção, de artistas que o influenciaram: Frederic Edwin Church, Hiroshi Sugimoto, Emile Nolde, Gerhard Richter, Michael Biberstein, Joan Nelson, Philippe Cognée, Joseph Mallord William Turner, Claude Monet, Caspar David Friedrich, Edward Hopper, Georges Seurat, Mark Tansey e Giorgio Morandi. A tela de Adolfo Couve (sem título, 1987) lida com questões semelhantes de passagem do tempo. Já a obra de Katie van Scherpenberg (Igarapé, 2003) com as questões do tempo de uma forma um pouco distinta, mas com a mesma temática. A artista morou na Amazônia e esta obra é deste período. Ela deixa o tempo agir na sua obra, utilizando materiais que vão se transformando na medida em que o tempo passa.

Núcleo Liliana Porter
Escolha da artista: Leopoldo Estol e Sylvia Meyer
Escolha da curadoria: Ceal Floyer
Liliana apresenta a obra Trabajo Forzado – forced Labor (rope), 2006, que traz um emaranhado de fios e, na ponta dos fios, um mínimo cowboy, compondo uma abordagem minimalista de uma forma mais cômica. Traz para o diálogo um poema de Leopold Estol, intitulado Gramática estendida: Em um pequeno quarto, esticam-se fios, de ponta a ponta, atando tudo o que está por atar. A cadeira à mesa, a mesa ao livro e a caneta que sobre ela repousa. Desde a caneta, o fio cruza o quarto em diagonal até a esquina em que a biblioteca está, atando, um por um, todos os livros. Daí parte para o batente da janela e, em seguida, ao armário em que ata, com uma só volta, as roupas ali penduradas. Depois as gavetas, uma a uma. O rádio sobre o criado-mudo, o criado-mudo, a lâmpada, a caderneta e, um pouco mais adiante, um par de sapatos. Dias mais tarde, à noite, um movimento brusco balança o fio. Ele tropeça e, assim como suas coisas, cai) O poema também reflete acerca das conexões, como se fosse a obra visual de Liliana em palavras, com uma poética diferente. Sylvia Meyer, compositora uruguaia, está presente com sua música Loco da atar, de 2007. Sylvia trabalha seguidamente em parceria com Liliana. A escolha da curadoria é um vídeo da paquistanesa Ceal Floyer (Ink on Paper, 2002), que mostra uma caneta tinteiro borrando um papel, cuja mancha se espalha aos poucos. Novamente, uma reflexão acerca das ligações.

Núcleo Waltercio Caldas
Escolha do artista: Milton Dacosta e Steve Reich
Escolha da curadoria: Jesús-Rafael Soto
Em O ar mais próximo, 1991, Waltercio Caldas organiza o espaço de uma sala utilizando nada mais que alguns fios que vão de uma parede à outra. A obra é literalmente um desenho no espaço, um desenho que, portanto, se converte tanto em escultura quanto em arquitetura. A obra, que foi montada uma única vez em Nova Iorque, foi remontada na Bienal. A reflexão aqui é referente às questões de espaço, como modificá-lo de uma forma radical com um mínimo de recursos. Para isso, o artista escolheu três telas da fase mais concreta de Milton Dacosta e uma música do compositor minimalista Steve Reich, que repete diversas vezes o mesmo elemento, modificando algum aspecto e retomando-o. A curadoria escolheu uma instalação de Soto, através da qual se pode enxergar o outro lado da sala.
Waltercio Caldas participou da 1 e a da 5ª edição da Bienal do Mercosul. Jesús-Rafael Soto esteve na 1ª , enquanto Dacosta participou das 2ª e 5ª edições da mostra.

Núcleo Álvaro Oyarzún
Escolha do artista: Josefina Guilisasti e Magdalena Atria
Escolha da curadoria: Peter Fischli e David Weiss
A obra de Álvaro já foi apresentada no Blanton Museum, no Texas – uma parede de 4m x 10m com centenas de desenhos diferentes. Cada vez que é remontada, é disposta de uma forma diferente e ganha um título diferente.
Magdalena Atria (Una vez, cada vez, todas las veces II, 2007) utiliza massinha de modelar para montar grandes pinturas. Poderia se dizer que ela “esculpe” suas pinturas, mas o resultado não é um híbrido entre escultura e pintura, ele se guia pelas expectativas que se tem com relação à pintura. O interessante do trabalho desta artista não é como rompe as fronteiras da pintura, mas com as expande.
Josefina traz a obra Bodegones, de 2006. Peter Fischli e David Weiss trazem o vídeo The way things go, de 1987.

Núcleo Osvaldo Salerno
Escolha do artista: León Ferrari e Beatriz González
Escolha da Curadoria: Alejandro Paz
Salerno achou na rua uma construção artesanal (Las torres gemelas, 2004-2005) da qual gostou e decidiu que funcionaria como obra de arte. Como Salerno é um artista estabelecido, usou a oportunidade do seu convite à Bienal para expor este objeto. A sua obra, neste caso, não tem nada a ver com o objeto de fato ou com sua aparência, mas acontece a partir da utilização do reconhecimento que acumulou em sua trajetória como artista, para poder introduzir um objeto feito fora dos círculos da arte no circuito artístico e fazê-lo visível.
Para dialogar com esta obra, o artista escolheu Leon Ferrari (Bombardero, 2002) e Beatriz Gonzáles (Zócalo de la tragedia, 1983). A curadoria escolheu o artista Alejandro Paz.
Salerno participou das 1ª, 2ª e 5ª Bienais do Mercosul. Leon Ferrari teve seu trabalho exposto na 1ª e na 4ª edição.

6ª Bienal do Mercosul – Mostra Conversas
Abertura: 6 de dezembro, às 20h – até 27 de janeiro de 2008
de terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca
Mais informações sobre a 6ª Bienal do Mercosul no site
www.bienaldomercosul.art.br

Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés) – Pinheiros SP
Fone: 11.2245-190
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1 comment so far

  1. jose fernandez belmonte on

    Hola amigos os invito a mi blog si os gusta la escultura.
    http://jfbmurcia-escultura.blogspot.com/


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