Julio Le Parc e Jasper Krabbé expõem em SP

Depois de sua última individual na Nara Roesler, em 2001, Julio Le Parc (1928, Argentina) volta à galeria com 20 obras, entre trabalhos históricos e recentes. O artista que também está em cartaz na exposição O(s) Cinético(s), no Instituto Tomie Ohtake, é um dos poucos latino-americanos a ganhar um Grande Prêmio na Bienal de Veneza, o que aconteceu em 1966, quando tinha 38 anos, na mesma época em que realizava a sua primeira individual em Paris, na Galeria Denise René.

Segundo Sheila Leirner, Le Parc criticava os artistas construtivos e cinéticos da época que utilizavam a eleição livre das formas e a sua expansão fortuita na superfície e no espaço. “Ligava-se a Denise René, Vasarely, Vantongerloo, Morellet e outros, para fazer investigações visuais sobre a superfície, as ordenações regulares, a homogeneidade das conformações e das relações entre elas, a seqüência progressiva de figuras, cores e posições”, diz a crítica.

A trajetória do artista passa rapidamente pela Argentina, seu país de origem, mas se faz praticamente em Paris, de onde sai toda a sua produção. Forma, em 1959, o G.R.A.V. – Group de Recherche D’Art Visuelle – com Morellet, Sobrino, Yvaral e Stein, que chegou a expor em São Paulo, em 1964, na Fundação Armando Álvares Penteado.

É um artista extremamente ativo, não só com sua arte, mas na relação com o mundo. Nas décadas de 60 e 70, Le Parc teve uma extraordinária atuação política, de esquerda, contra os governos militares da América Latina e na defesa do regime socialista de Cuba, onde formou um atelier para a participação do povo na arte. Fiel a suas posições, boicotou várias exposições por questões políticas, inclusive a Bienal de São Paulo de 1969, realizada logo após o AI-5, atitude tomada por artistas de todo o mundo, inclusive brasileiros.

No mezanino, o projeto Roesler Hotel traz obras do artista holandês Jasper Krabbé (1970, Amsterdã). São pequenas pinturas que podem ser vistas como como remanescências de um processo de recordação. Ao pintar camadas de aquarela muito finas sobre uma base seca, o artista transmite ao espectador um sentido de perda. Os fundos são deliberadamente instáveis, uma gota d’água poderia dissolver a imagem… ou uma rajada de vento poderia varrer a imagem para fora da tela; e com isso um sentimento de impermanência é instaurado na tela.

No ato de recordar há uma certa melancolia em relação aos tempos perdidos e isso também é inserido no trabalho. Segundo o artista, o formato pequeno utilizado nesta série sugere intimidade, mas apresenta um lado prático também, pois a maior parte das imagens é produzida enquanto ele viaja e registra fragmentos de seu entorno.

Nos trabalhos desta exposição, Jasper conta que tinha em mente as as gravuras japonesas de Ukiyo-e (um estilo de arte popular no Japão durante o período Edo, que normalmente representava cenas do cotidiano). “Ukiyo” significa mundo flutuante, um irônico trocadilho com o termo budista que designa o plano terreno ou “mundo doloroso”.

Para o artista, o termo “mundo flutuante” é muito apropriado, pois nada é estável e tudo permanece em estado de fluxo constante.”Assim são as minhas imagens: algumas derivam de sonhos, outras brotam da memória de pessoas que conheci, viagens que fiz, lugares que vi”, completa.

Galeria Nara Roesler
Abertura: 6 de dezembro de 2007, às 20h (convidados)
Público: 7 de dezembro a 31 de janeiro 2008
Av. Europa, 655 – São Paulo. Tel./fax: 3063-2344
De segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 11h às 15h.
Site: www.nararoesler.com.br / E-mail: galeria@nararoesler.com.br

Anúncios

No comments yet

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: