Cinema está estagnado no Brasil

é a conclusão dos números de público de 2007 divulgados pelo Sindicato dos Distribuidores

Os números oficiais do mercado de cinema no Brasil foram divulgados hoje pelo Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Município do Rio de Janeiro – que mantém o único banco de dados da indústria contínuo desde o ano de 1982. O público em 2007 deve ficar entre 89 milhões e 90 milhões de espectadores. Enquanto em 2006, alcançou 91,2 milhões. O que representa uma queda entre 1,5% e 2,5%. Os dados de 2007 se referem às bilheterias de todos os filmes lançados até o dia 16 de dezembro e a projeção para as duas últimas semanas do ano, levando em conta as estréias agendadas. Os números finais, com os dados de todo o ano, serão divulgados na segunda semana de janeiro.

Do total de espectadores que foram às salas de cinema no Brasil em 2007, 11,3% foram assistir a filmes brasileiros. Enquanto em 2006, o market share dos filmes nacionais ficou em 10,9%. O público desta faixa cresceu irrisórios 1,5% em relação ao ano passado. Foram 9.932.474 espectadores em 2006. Para 2007, o número estimado é de cerca de 10 milhões, graças ao filme “Tropa de Elite”. Lançado no último trimestre do ano, alcançou 2,4 milhões de espectadores. Os filmes estrangeiros se mantiveram no mesmo patamar que vêm ocupando desde 2002 – entre 80 e 85 milhões de espectadores. Com exceção de 2004, em que alcançou cem milhões.

– Essa constante do filme estrangeiro deixa claro que o filme nacional é o caminho para o crescimento do mercado no país – analisa Jorge Peregrino, presidente do Sindicato. – Mas por que ele não cresce? Porque o produto não está respondendo à demanda do mercado. Temos que dar início a uma discussão de fundo estrutural sobre como produzimos nossos filmes e porque eles não atraem o público.

A estagnação do público do cinema no Brasil se dá num ano que começou coberto de expectativas tanto pelos títulos que se esperavam de apelo popular quanto pelo número de cinemas a serem inaugurados. Em 2006, havia 2.220 salas de cinema no país. Devemos terminar 2007 com 151 novas salas. Descontando-se 16 que encerraram suas atividades, o total de salas aumentou para 2.355. O que representa um crescimento de 6%.

– Outro problema estrutural do cinema no Brasil é a questão do número de salas – acredita Peregrino. – Temos que investir na construção de novos cinemas em áreas hoje não atendidas. Os moradores de algumas regiões simplesmente perderam o hábito de consumo de cinema. Para retomar isso, será necessário financiamento público. O número de salas per capta no México é de 25 mil habitantes por sala. E, na Argentina, é de 35 mil habitantes por sala. Enquanto o Brasil tem uma sala para cada 80 mil habitantes.

O preço médio do ingresso subiu abaixo da inflação. Enquanto o IPCA deve fechar em 4,5% para o ano de 2007, o preço médio do ingresso aumentou 3,9% e deve fechar o ano em R$ 7,98.

– A legislação de meia-entrada é o outro problema de fundo que necessita ser enfrentado. O ingresso cheio fica, necessariamente, muito alto, pela obrigação de compensar a existência da meia que é ofertada de uma forma descontrolada – diz Peregrino. – Alguns cinemas chegam a ter a ocupação de 70% de meia. O que inviabiliza a redução dos preços, afasta o público que não paga meia e inibe o investimento para construção de salas fora dos grandes centros. É um preço que toda a indústria do entretenimento paga para que alguns possam usufruir de um desconto restritivo. Aliás, o Brasil é o único grande mercado cinematográfico no qual existe tal legislação. Como diria o mestre Mário Henrique Simonsen, “se é jaboticaba e se só existe no Brasil, deve estar errado”.

A situação de estagnação do mercado brasileiro é uma exceção na América Latina, como diz Peregrino:

– Todos os mercados do continente cresceram em 2007, com os mesmo filmes em lançamento nas mesmas datas. As exceções são o Brasil – em virtude dos fatores acima – e a Argentina. Lá, a inflação oficial, represada, é de 10%. Enquanto a inflação real deve chegar a mais de 20%. O poder de compra, através dos salários, é reajustado pela inflação oficial, mas todos os outros custos seguem a inflação real, o que obrigou a exibição naquele país a reajustar o preço do ingresso em mais de 20% no decorrer de 2007.

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