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Heródoto Barbeiro e Bruna Cantele lançam O Livro dos Políticos

De Lula a Deodoro – assim mesmo, de trás pra frente. Essa inversão, intencional, é apresentada em O Livro dos Políticos, lançamento da Ediouro, no mês setembro.

Trata-se de um passeio bem-humorado pela história da sociedade brasileira, em que o fio condutor é a sucessão presidencial. Heródoto Barbeiro e Bruna Cantele percorrem os paradoxos, embates e tropeços que encadearam a República brasileira. Mas nem a Monarquia escapa ilesa do olhar aguçado dos autores.

Um conteúdo e tanto, que neste livro ganha uma edição permeada por curiosidades, que em blocos intitulados Denúncias e Escândalos; Ah! Esses jornalistas…; Diário da Corte; Personalidades, entre outros – além de notas cronológicas e trechos de jornais impressos –, tornam a leitura ainda mais agradável.

Para ilustrar tanta história, charges assinadas pelos principais cartunistas do país, como Céllus, Diogo Salles, Flávio, Guz, Gilmar, Léo Valença, Mangabeira, Néo, Luigi Rocco, Renato Machado, Sponholz, Zappa, ajudam o leitor a encarar com bom-humor as crises e escândalos que infelizmente fazem parte do cotidiano da política nacional.

O Livro dos Políticos não se dedica apenas aos líderes de Estado: os planos econômicos, as trocas de moedas, os inúmeros partidos políticos, os intermináveis escândalos e as CPIs são relembrados em suas 304 páginas.

“Quem sente certa comichão só de ouvir a palavra políticos não está sozinho. Por que será, não é?

Como piada no Brasil já vem pronta, os alegres protagonistas da política nacional prestam-se com facilidade aos nossos atentos e perspicazes chargistas, que com leveza e humor retratam – para deleite do público pagante – as peripécias dos nobres senhores agentes. Recuperamos o fio histórico da cena política escolhendo como figura central os cavalheiros eleitos pelo contribuinte.

E acrescentamos algumas deliciosas imagens ainda da época do Império, porque afinal não é justo deixar parecer que os republicanos sejam os autores da conhecida e imaginativa criatividade, em matéria de política e politicagens…..”

Heródoto Barbeiro é jornalista e escritor, âncora do Jornal da CBN e do Jornal da Cultura. Nasceu em São Paulo.

Bruna Cantele é mestra em educação, historiadora, autora de livros didáticos e paradidáticos, além de coordenadora do Departamento de Historia de colégio  particular em São Paulo.

Título: O Livro dos Políticos – A hilariante política no Brasil
Autores: Heródoto Barbeiro e Bruna Cantele
N° de páginas: 304
Preço: R$49,90

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Os bastidores obscuros da parceria entre MSI e Corinthians

Como é possível a um clube que acumulou tantas conquistas esportivas nos últimos anos e ter recebido o investimento de diversos fundos e patrocinadores diferentes ter amargado a queda para a segunda divisão do futebol brasileiro?

Em meio à luta para voltar à elite do maior esporte brasileiro e vários meses depois do afastamento de Alberto Dualib da presidência – em meio a acusações de lavagem de dinheiro – está sendo lançado “Salvem o Corinthians – Os bastidores das parcerias que levaram o Timão da glória do Campeonato Mundial ao vexame da Série B” (Idéia e Ação, 136 páginas), livro que mostra provas concretas a respeito dos escândalos que tomaram conta do clube.

A obra se apóia em documentos que explicitam detalhes das transações entre MSI e Corinthians e reafirmam o acordo leonino feito pelos investidores estrangeiros. Algumas fotos também deixam claro o relacionamento estreito entre Kia Joorabchian, o russo Boris Berezovsky e o bilionário e líder da oposição georgiana Badri Patarkatsishvili  – e o envolvimento dos dois últimos (acusados de participarem da máfia russa) nas negociações com o clube.

Só para lembrar, à época do escândalo, o promotor de justiça Roberto Porto declarou: “Estamos combatendo a máfia russa, eles têm experiência no que estão fazendo.” Ao que Kia Joorabchian da MSI disse: “Eles usaram várias informações já conhecidas e só falaram do Boris Berezovski, não provaram nada contra mim e a MSI.”

A autoria do livro é de Carla Dualib, neta do ex-presidente, e que respondia pelo marketing esportivo da empresa Sport Club Corinthians Paulista e se tornou figura central nas polêmicas envolvendo o time alvinegro. Hostilizada por dirigentes e conselheiros, odiada por boa parte da torcida e questionada por setores da imprensa, a empresária esclarece o seu papel nessas histórias, incluindo a polêmica em torno das comissões pagas à empresa MSA meses depois do final do contrato entre ela e o clube alvinegro. Carla fala também a respeito dos seus negócios representando outros clubes, até mesmo os rivais – algo que deixou conselheiros e torcedores revoltados. Num episódio emblemático, alguns corintianos chegaram a ameaçar a vida dela e a do avô.

Trechos

“Quando enfim soube que o potencial investidor era um fundo inglês denomidado Media Sports Investments (MSI), entrei em contato com uma consultoria multinacional especializada em questões de segurança no mundo corporativo. Solicitei orçamento para uma investigação que determinasse os riscos de uma eventual parceria entre Corinthians e MSI. Em resposta, fui chamada para uma reunião a portas fechadas. Recusaram o caso, recomendando que eu não me envolvesse. Se o fizesse, minha vida correria risco. Temi por meu marido e meus filhos”.

“Hoje vivendo em segurança e conforto na capital inglesa, Kia é foragido da justiça brasileira. A acusação que pesa sobre ele: haver usado o Corinthians num esquema para lavagem de dinheiro oriundo de atividades ilícitas. Lá na Inglaterra, ele continua por cima, como “dono” de atletas que levou do Corinthians. E continua buscando retorno financeiro sobre o que supostamente “investiu” no Corinthians. A palavra “investiu” vai entre aspas porque todos sabemos que ele não era o dono do dinheiro. E é o que este livro mostra”.

Sobre a autora

Carla Dualib é publicitária, formada em Desenho Industrial e Administração de Empresas, e pós-graduado em Propaganda & Marketing. Passou por importantes agências de propaganda como Salles (atual Publicis Brasil), Standard & Ogilvy (atual Ogilvy) e Rapp Collins, tendo criado campanhas de sucesso para diversas empresas brasileiras. Iniciou sua carreira no marketing esportivo como executiva da HMTF – Hicks, Muse, Tate & Furst – no Brasil, organizando planos de marketing para diversos clubes brasileiros de futebol. Posteriormente, fundou a SMA – Sports Marketing Agency – , empresa que rapidamente ganhou projeção no mercado por suas iniciativas e pelos resultados para seus clientes. É também autora do capítulo brasileiro do livro Como desenvolver planos de marketing esportivo de sucesso, de David Stollar.

Salvem o Corinthians – 136 páginas
Idéia e Ação – Preço: R$ 25,00

Nokia Trends MobJam traz os australianos Bag Raiders a e o alemão Chopstick ao Brasil

O line-up do projeto promove diversão e experiências tecnológicas com duas atrações internacionais que vão comandar pickups com os celulares da linha Nokia XpressMusic conectados 

A convergência de música, arte, tecnologia e entretenimento vai permear as festas do projeto Nokia Trends MobJam em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, durante o mês de setembro. O projeto apresenta em São Paulo a noite de comemoração de 11 anos do rraurl.com, maior site brasileiro de música de vanguarda, com apresentação do duo de synth-pop australiano Bag Raiders, ao lado do DJ Gil Barbara. A festa acontecerá no Vegas Club, em 12 de setembro.

No dia seguinte, 13 de setembro, os australianos e Gil novamente promovem interações entre os celulares da linha Nokia XpressMusic e pickups, desta vez no clube Dama de Ferro, no Rio de Janeiro. Em Belo Horizonte, o clube Roxy é a sede do Nokia Trends MobJam e conta com DJ set do alemão Chopstick, além do live P.A. dos mineiros do Digitaria, em 19 de setembro.

Neste ano, o projeto Nokia Trends MobJam, iniciado em julho, tem fortalecido a plataforma Nokia Trends e se aproximado do público ao incluir outras capitais brasileiras em seu circuito, além de apresentar os diversos segmentos da música, como o techno, rock, electro e hip hop. O Nokia Trends MobJam segue sempre com três edições mensais até o mês de novembro, em clubes selecionados no eixo São Paulo-Rio de Janeiro e outras capitais, somando 15 festas.

Os DJs convidados a participar do projeto vão completar sua mixagem com os aparelhos Nokia 5310 XpressMusic e Nokia 5610 XpressMusic conectados às pickups, mesclando bases eletrônicas, samplers, vocais e sons diferenciados. Os modelos, que contam com design inovador, teclas dedicadas de música e compatibilidade com diversos formatos de arquivos de áudio, também trazem equalizadores que proporcionam qualidade de som superior e diferenciada.

Nokia Trends MobJam real e virtual

Além de musical, o projeto Nokia Trends MobJam acrescenta conteúdo audiovisual em que VJs convidados farão intervenções no ambiente das festas. Por meio do aparelho Nokia 5610 XpressMusic, com tecnologia 3G, promotoras conectadas por videochamada, vão transmitir o Nokia Trends MobJam de dentro dos clubes para os visitantes que estiverem ao lado de fora.

O Bluetooth também será uma ferramenta de troca de informações. Quem estiver com o recurso ativado durante as festas poderá receber fotos, vídeos e vinhetas para customização de seus aparelhos e upload de conteúdo colaborativo no site Nokia Trends, como impressões da festa, fotos e vídeos.

O site Nokia Trends (www.nokiatrends.com.br) vai ser o ponto de encontro para que o público possa colaborar com o projeto Nokia Trends MobJam e ganhar convites para as próximas festas. Nele estará disponível a agenda completa de festas em todos os Estados participantes, além de os usuários cadastrados poderem publicar suas fotos captadas durante as festas, sugerir assuntos para discussões em fórum e fazer download de conteúdo Nokia Trends, como vinhetas, fotos e vídeos especiais.

Nokia Trends em 2008

Neste ano, a plataforma Nokia Trends fez sua primeira aparição no evento Be True Street Expressions que comemorou os 23 anos do modelo Nike Dunk em que ambas as marcas compartilharam a cultura urbana em interações entre arte, música e tecnologia. Além disso, os DJs Dubstrong, Zegon, Mixhell e Busy P, proprietário do aclamado selo new raver, Ed Banger, vindo ao Brasil pela primeira vez, comandaram as pickups conectados aos aparelhos Nokia 5310 XpressMusic e Nokia 5610 XpressMusic em uma performance Nokia Trends MobJam.

O grande evento da plataforma Nokia Trends será realizado no dia 29 de novembro, em São Paulo. Detalhes serão divulgados em breve.

Nokia Trends MobJam@11 anos do rraurl.com – Vegas
12 de setembro, à 0h
Rua Augusta, 765, Cerqueira Cesar – São Paulo, SP
Entrada: R$ 30,00

Line-up
Gil Barbara (Nokia Trends MobJam)
Bagraiders – Austrália (Nokia Trends MobJam)
DJ Eduardo Cristoph
DJ Sany Pitbull
DJ Diogo Reis
VJ Marcos Koetler

Nokia Trends MobJam@Electrodama – Dama de Ferro 
13 de setembro, às 23h30
Rua Vinicius de Moraes, 288, Ipanema – Rio de Janeiro, RJ
Entrada: R$30,00

Line-up
Gil Barbara (Nokia Trends MobJam)
Bagraiders – Austrália (Nokia Trends MobJam)

Nokia Trends MobJam – Roxy
19 de setembro, às 23h
Rua Antônio de Albuquerque, 729, Funcionários – Belo Horizonte, MG
Entrada: R$25,00 mulher/ R$35,00 homem

Line-up
Digitaria Live P.A. (Nokia Trends MobJam)
DJ Chopstick – Alemanha (Nokia Trends MobJam)
VJ Ashx

Oficina livre aborda a cultura escolar através dos tempos

Na próxima quinta-feira, dia 28 de agosto, a Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) promove a oficina “Cultura Escolar”. A atividade integra a programação desenvolvida pela instituição para o mês de agosto, cuja temática está voltada para a educação e o universo escolar.

A oficina tem por objetivo discutir e refletir acerca da trajetória da educação no Brasil, abordando aspectos de cultura geral. Para isso, a professora Marize Vilela Carvalho, que é doutora em História da Educação e docente da Escola Pós-Graduada de Ciências Sociais da FESPSP, fará um apanhado histórico apresentando aspectos da educação brasileira desde os primórdios; do Brasil Colônia aos dias atuais.

De acordo com Marize, a idéia é traçar uma espécie de linha do tempo da educação e da cultura – dois aspectos indissociáveis – no país e demonstrar que cada época é marcada por um tipo de educação.

“No Brasil Colônia o modelo de educação era a jesuítica, já na atualidade predomina a influência de filósofos americanos e também de teóricos e intelectuais brasileiros, buscando criar um modelo de ensino mais específico, a fim de suprir necessidades da nossa sociedade”, explica.

A professora ainda acrescenta: “Esta atividade é indicada para educadores de todos os níveis de ensino – Fundamental, Médio e Superior, além de sociólogos e todos aqueles que se preocupam com os rumos da educação. A oficina partirá do entendimento do processo desde o seu início, pois os problemas que temos hoje tiveram início na educação jesuítica – como a valorização do diploma e problemas relativos à cultura, por exemplo. Além disso, não se pode pensar em resolver nenhum problema de educação sem discutir cultura”.

As Oficinas Temáticas Livres da FESPSP são gratuitas e abertas ao público em geral. Os interessados podem obter mais informações e efetuar inscrições pelo site http://www.fespsp.org.br/oficinas ou pelo telefone (11)3123-7810.

Serviço:
Oficina “Cultura Escolar”
Data: 28/08/08 – quinta-feira
Horário: das 14h00 às 17h00
Local: Rua General Jardim, 522 – Vila Buarque. Próxima às estações República e Santa Cecília do Metrô.

Começa a 9ª Bienal Naïfs do Brasil

De 05 de setembro a 14 de dezembro de 2008
Sesc Piracicaba – abertura às 20h
Transmissão da abertura on-line no portal: http://www.sescsp.org.br

Com 70 artistas selecionados e 107 obras, começa no próximo dia 05 de setembro – sexta-feira, às 20h, no Sesc Piracicaba, a 9º edição da Bienal Naïfs do Brasil, realizada pelo SESC São Paulo. A Bienal Naïfs do Brasil 2008, contou com um júri para a escolha das obras e um curador somente para a Sala Especial, o crítico de arte Olívio Tavares de Araújo que selecionou trabalhos de oito artistas significativos e consagrados, com variações nas linguagens (madeira, barro, fotografia etc.). O júri, composto pela a antropóloga, Ângela Mascelani, o artista plástico e acadêmico, Percival Tirapeli e o escritor e jornalista, Romildo Sant’anna, fez a escolha de obras que não se prestassem a uma temática, mas tiveram um trabalho mais árduo ao lidar com a liberdade de opção. O trabalho em conjunto proporcionou uma seleção mais acurada e nasceu daí, uma proposta de uma seleção baseada na qualidade artística dos autores. Mesmo a ambientação, a arquitetura das disposições dos trabalhos, foi feita neste espírito corporativo – no sentido de partes que formam um corpo.

Foram avaliadas 904 obras inscritas de 452 artistas e selecionados 107 trabalhos, entre esculturas, pinturas, aquarelas de artistas de todo o Brasil, representando 21 estados.

Para Percival Tirapeli: “Se 21 estados da nação estão aqui representados e a produção obrigatoriamente teve que ser recente (no período de dois anos), nada mais do que eleger esta bienal como representativa dessa pulsante criação da primeira década do século XXI. É expressão pura dos artistas do povo brasileiro que se manifestam com total liberdade e que assim são acolhidos por esta instituição, o SESC, presente em todo o país, sendo Piracicaba seu local irradiador, condizente com sua cultura em todas as expressões no cenário nacional”.

A iniciativa da Bienal Naïfs do Brasil surge em 1986 como uma exposição comum e que, a partir de 1992 passa a ter a periodicidade bienal, no SESC Piracicaba. Nasceu com o objetivo maior de valorizar estes artistas que, fora de um contexto acadêmico e teóricos, produziam incessantemente a beleza com que traduziam o mundo, que tem na natureza, seu principal objeto de apreciação. A composição atual da Bienal como um todo, traz um “panorama” de técnicas, estilos, símbolos e códigos da cultura brasileira.

Ao partir da iniciativa de uma exposição de pintores naïfs, a Bienal foi tomando corpo e relevância. Foi um impulso dado não somente pelas pessoas envolvidas mas pelo que se viu nas obras algo além de puro simplismo. A força que as obras suscitavam fez com que muitos artistas formais voltassem os olhos para sua importância e, então, formaram-se júris especializados para a escolha das mesmas, chamaram-se curadores para esboçar temas e formatos, elevando, assim, a estima destes artistas naïfs que estavam confinados a uma geografia restrita por não possuírem um lugar onde sua arte pudesse encontrar um público. A intenção sempre foi a de motivar estes artistas, dar-lhes oportunidades, inseri-los num mercado de arte.

Para o diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda, “Se pensarmos que o artista naïf gera sua arte sem a influência de conceitos, quão difícil, então, podemos imaginar o processo de sua criação. A percepção de um mundo novo surge do caos, da desordem, que ele alinha, ordena e traduz como arte. É um ser que se debruça sobre seus sentimentos e discorre sobre o universo como uma espécie de deus” comenta orgulhoso de mais uma Bienal.

A 9ª Bienal Naïfs do Brasil terá transmissão on-line, pelo portal do Sesc, http://www.sescsp.org.br  e apresentação de Fabio Malavoglia, assim, participantes de todo o Brasil, ou mesmo familiares e amigos, poderão acompanhar a entrega dos prêmios dos artistas selecionados para a edição 2008.

Artistas premiados:
Destaque-Aquisição
Dalton Oliveira de Paula, da cidade de Goiânia (GO), com a obra “2º Gemelar” e Rogério Soares de Sena, de Belo Horizonte (MG) com a obra “Sem Título”.

Prêmios Incentivo
Claudimar Gonzaga Pereira (Pirenópolis/GO), com a obra “Festa do Divino de Pirenópolis”;
Eli Bacelar da Silva (Manaus / AM), com “Danças Flora Fauna”;
Gersion de Castro Silva (São Sebastião / DF), “O Fim de Semana Chegou”;
Marcelo Schimaneski (Ponta Grossa / PR), “Cidade Agitada” e
Marilene Gomes da Silva (Barueri / SP), “Encontro de Maracatu Rural – Olinda / PE”.

Menções Especiais
Aloisio Dias da Silva (Marília / SP), com a obra “A Dengue no Rio de Janeiro I”;

Carmézia Emiliano (Brasília / DF), “Espremendo Caju”;

Daniel Firmino da Silva (São José do Rio Preto / SP), “Futebol na Vila Azul”;

Dalila Ferreira Farnese (Lídice Rio Claro / RJ), “Mata Atlântica”;

Deusdete Antonio de Miranda (Rondonópolis / MT), com a obra “Culpado II”;

Iwao Nakajima (Embu / SP), com “Festa do Divino”;

José Luiz Soares (Belo Horizonte / MG), “Viva!! O Milagroso São Sebastião” e

Maria Lucia Beraldo (Ribeirão Preto / SP), com a obra “Procissão III”.
Sala Especial – curadoria Olívio Tavares de Araújo

Uma das marcas na Bienal Naïfs do Brasil são as salas especiais. Este ano o curador convidado é o crítico de arte, Olívio Tavares de Araújo, que traz oito renomados artistas vindos de diversos estados brasileiros. São eles: Roseno, o Antonio Roseno de Lima de São Paulo; Francisco Moraes da Silva, o Chico Tabibuia, do Rio de Janeiro; Alcides Pereira, da Bahia; Manuel Gomes da Silva, conhecido como Nuca de Tracunhaém, de Pernambuco; Sebastião Theodoro Paulino da Silva, o Ranchinho, de São Paulo; Eli Heil, de Santa Catarina; vem do Acre, Chico da Silva e da Bahia, Louco, como é chamado Boaventura da Silva Filho.

Para o curador, Olívio Tavares de Araújo “Igualmente o termo naïf (ou ingênuo) estabelece uma hierarquia, como se o artista erudito fosse emocional e/ou intelectualmente mais maduro, mais lúcido, mais inteligente. Nada disso. Pode ser, quando muito, mais informado”, afirma.

Os artistas aqui apresentados foram construindo em seu trabalho um “estilo” individual semelhante àqueles existentes entre os criadores pertencentes às elites.

A sala especial conta com 64 obras em diversos formatos e suportes.

OS ARTISTAS DA SALA ESPECIAL

Alcides [Alcides Pereira dos Santos]

1932, Rui Barbosa/BA – 2007, São Paulo/SP

Nascido na Bahia, chegou em 1950 a Mato Grosso, onde se radicou, com 18 anos de idade. Vindo dos trabalhos exaustivos da roça, experimentou os ofícios de sapateiro, barbeiro e pedreiro, antes de exercer a arte da pintura. Segundo Aline Figueiredo (1977), com 19 anos de idade, “alcança as maiores revelações da sua vida: a religião e a pintura”. Evangélico, acredita que a arte é dom de Deus. Sua pintura, em consequência, reflete o provimento da vida do homem pela natureza, através do cultivo da terra e da pecuária, nas suas relações mútuas. Não se limita ao aproveitamento dos dons divinos da terra pelo homem e representação simbólica de Alcides. Também a tecnologia e a vida das cidades devem revelar louvor à Criação, através de flagrantes do dia-a-dia, sem qual laivo de proselitismo ou de representação explícita do sobrenatural. E assim ele pinta a série da criação do mundo em sete dias, incorporando ao trabalho as legendas bíblicas: “Disse Deus: Haja terra seca, haja relva, e árvores e flores.” A serenidade das suas paisagens da década de 70 permanece, portanto, inalterada nas décadas de 80 e 90. Nessas, contudo, acentuam-se o grafismo e o geometrismo do seu trabalho, em que a figura humana – como também ocorria na década de 70 – está no campo da composição em pequena escala, pois é o todo da paisagem como criação macro que interessa. Participou de inúmeras exposições no Brasil. A mais recente, Arte popular, Mostra de Redescobrimento, 500 anos, na Fundação Bienal de São Paulo, em 2000. Trabalhos seus integram o acervo do Museu de Arte Popular do Centro Cultural de São Francisco, em João Pessoa, Paraíba.

Chico da Silva [Francisco Domingos da Silva]

1910, Alto Tejo/AC – 1985, Fortaleza/CE

Nasceu no Acre, em plena floresta amazônica, filho de Minervina Félis de Lima e de Domingos da Silva, caboclo peruano. É talvez o primeiro artista de fonte popular, depois de Vitalino, a atingir evidência na mídia de todo o país, bem como na estrangeira especializada. Em entrevista que me deu na sua casa do Pirambu, em 1974, expressando-se em português fluente e correto, as lembranças de infância de Chico Silva se resumiam “à manjedoura do rio, atirando de boleadeira nos pássaros”. Foi para o Ceará com a família aos seis anos de idade. Em seguida, para uma fazenda em Quixadá. Com a morte da mãe, que o recomendara a amigos fazendeiros, “vai se criando, sempre no meio da sociedade. Não precisava de escola. A natureza, eu tinha”. Com 12 anos vai para Guaramiranga, onde ficou até o início da mocidade. Iniciou-se na pintura em Fortaleza (CE), sua residência desde 1935, exercendo pequenos trabalhos de sapateiro, funileiro, soldador, pedreiro, carpinteiro e pintando paredes. Do que mais gostava, no entanto, “era desenhar com mato verde apanhado na hora, e tijolo branco e vermelho (porque eu não tinha tinta naquela época) nas paredes das casas dos pescadores”. Na década de 60, iniciou-se o doloroso e espetacular périplo de Chico, que abandona a Universidade, expondo-se a uma comercialização desenfreada da sua arte, com raros momentos de exceção, como as exposições na galeria Relevo (RJ, 1963), na Galeria Jacques Massol (Paris, 1965) e Artistas Primitivos Brasileiros (cidades da Europa, inclusive Moscou, 1966). Recebeu menção honrosa na Bienal de Veneza de 1966, com a curadoria do crítico Clarival do Prado Valladares, que na ocasião escreveu: “É o intérprete de uma mitologia diluída na tradição oral de uma região imensa que só ele fixou e refletiu(…). Outro aspecto relevante é a sua qualidade plástica como composição bem ordenada e construída (…). O grafismo, a trama do desenho, a policromia e o enriquecimento detalhista são características marcantes.” Paralelamente a esse brilhante circuito, havia-se constituído em Fortaleza, com o consentimento do artista, que praticava excessos com bebida, uma rede coletiva de produção dos seus trabalhos. Apareceram centenas de telas com pinturas a óleo, de execução mais fácil que os guaches sobre cartolina. Tinha sido excessiva a exposição de Chico à mídia e ao mercado. Nos anos 70 ele adoeceu e seu prestígio decaiu até as multiplicações de seu trabalho se encontrarem em lojas de souvenirs. Em 1974 o governo do Estado lhe dá outra casa, mas com a saúde abalada o artista é internado, em 1977, em uma clínica psiquiátrica, da qual ainda sairia para participar da I Bienal Latino-americana promovida pela Bienal de São Paulo. Novas recaídas da doença, novas polêmicas sobre falsificações de obras, concessão de pensão vitalícia e oferecimento de uma nova casa pelo governo do Ceará marcaram o ano da morte de Chico Silva, pai de nove filhos vivos e um dos grandes artistas do país.

Chico Tabibuia [Francisco Moraes da Silva]

1936. Casimiro de Abreu/RJ – 2007, Barra de São João/RJ

Nascido do munipício de Silva Jardim, na fazenda Maratuã, Aldeia Velha, Chico Tabibuia só foi registrado pelo juíz de Casimiro de Abreu quando tinha 36 anos de idade, juntamente com sua mãe. Na extrema miséria em que se criou, esclarece o seu biógrafo e estudioso Paulo Pardal, não havia possibilidade para o registro de nascimentos. Seu pai era um pardo, “neto de fazendeiro português que teve 40 filhos com escravas”, relatou a Pardal. A mãe, uma cabocla. O avô materno era carpinteiro, seu bisavô, Antônio Anema, também. Seguindo a forte tradição africana que reverencia a presença dos antepassados, Tabibuia conta a Pardal que seu bisavô, Dominguinho Ferreira Neto, “foi pegado pelos reis e foi escravo de reis, só libertado quando acabou a escravidão”. Mas quando fez a “passagem para o céu”, ensinou ao filho tudo o que é bom: “fazer casa de farinha, canoa, moinhos de fubá e café, carro e canga de bois, madeiramento para construir casas, carrocinhas dos escravos puxar mantimentos”. A mãe de Tabibuia, Francisca Neta, teve Chico com Manuel Moraes da Silva, lavrador de café e criador de galinhas. Mais tarde, com os 16 filhos de outros casamentos, Francisca trabalhou plantando mandioca e fazendo esteiras de palha, sem nunca largar a família: “não deu nós a ninguém. (…) Meu pai que conheci foi ela”. Com dez anos de idade Chico esculpe seu primeiro “boneco”, já dotado de pênis. Após outras errâncias e tentativas de trabalho ali mesmo na região, Chico resolveu trabalhar sozinho, “tirando tabibuia” por muito tempo, herdando o apelido dessa árvore, cuja madeira é usada em tamancos e lápis. Por volta do anos de 1970 voltou a esculpir, com 40 anos de idade. Além das esculturas, fez móveis rústicos para as cidades da região, mas como não conseguia receber o pagamento devido, estava a ponto de desistir quando o seu encontro com Paulo Pardal, que também tinha casa em Barra de São João, veio infundir novo ânimo no artista. Paulo se tornou seu principal colecionador e divulgador. Legitimado pela crença pentecostal para a representação de Exu, já que agora não era mais considerado transgressor, como antes na umbanda, porque livre da interdição do segredo, do mistério que deve cercar esse sobrenatural, Tabibuia declarou que, ao retratá-lo, faz com que fique aprisionado na escultura, “para não fazer mais mal ao povo”, ficando cada vez mais “fugido das matas”, onde poderia atuar em liberdade. Tabibuia paga dízimo das vendas cada vez mais freqüentes de suas obras e considera-se liberado para a sua escultura solene e sagrada do eros. Dia que tem “exu na cabeça e Deus no coração (…). Meu estudo veio do berço e quem está acompanhando são os anjos do céu. Durmo e tem um Velho que ensina que é Deus”. Frederico Morais reparou na “criatividade” em nível elevado de Tabibuia, que traz um elemento erótico – não pornográfico – que é forte no conjunto da arte brasileira”, bem como na monumentalidade de muitas de suas esculturas. Tabibuia constrói uma obra importante no quadro das artes visuais brasileiras, com uma marca pessoal inconfundível, que, ao remeter a uma fonte afro, transcende-a, exprimindo a força dos eros na dualidade masculino/feminino – talvez a mais antiga e profunda na história da humanidade. A partir de 1981, participa de mais de 20 exposições coletivas e dez individuais por todo o Brasil, bem como de mostras antológicas no exterior. Sua obra consta dos principais museus de arte popular do país.

Eli Heil [Eli Malvina Heil]

1929, Palhoça/SC

Eli Heil, revelada na década de 60 pelo crítico João Evangelista de Andrade Filho, ultrapassou, em 1966, os limites da Ilha de Santa Catarina ao expor individualmente no Museu de Arte Contemporânea da USP, apresentada por Walter Zanini. Na introdução do catálogo para essa mostra, Zanini considera-a “a maior revelação da nossa arte de intuição primitiva destes últimos vinte anos”. É consenso de ambos os críticos ver na obra de Eli, naquela data, uma “visão expressionista de natureza cósmica, que dá magnitude ao seu pequeno mundo  de morro e currais.” Esse mundo não tardará a expandir-se cada vez mais, quer como inaudita liberdade formal ao explorar inovadoramente técnicas por ela mesma inventadas, quer como ocupação de um espaço real, que se ampliará pelos desdobramentos da pintura erodida e desenhos “esfolados” de Eli pela tridimensionalidade, da tapeçaria, da escultura, da cerâmica e, finalmente, pelas criações monumentais do Mundo do Ovo, no terreno da sua casa de Florianópolis. “Eu sempre achei que o ovo é o princípio de tudo”, declarou a Jandira Lorenz (1985), que escreveu sobre a sua obra um livro definitivo. “O Ovo para mim é redondo, é tudo aquilo que eu faço. É uma evolução de todos os meus sentimentos”, acrescenta Eli, que possui notável dom para expressar-se pela palavra, compondo freqüentes poesias sobre a própria criação, sempre ligada à sua biografia. “A arte é ver nascer do verde cérebro os mais maravilhosos seres imaginários”, declara a artista a J. Lorenz, que identificará na fabulação genesíaca de Eli a transmutação permanente de significados e formas. Imagem da fertilidade, estadeiam-se no trabalho de Eli falos, seios, serpentes, germinações. Lorenz apontará certas afinidades da artista “com alguns momentos, por exemplo, do Grupo Cobra, pelo seu furor cromático, por sua escala de antivalores (antibeleza, anti-razão, antimétier) e pelo tumulto e teatralidade de formas.” Os títulos das obras de Eli Heil falam do seu mundo: Animal desfiado, Morro faísca, Meu morro, meu pé, Cobra garruda, Cérebro telefone, Bicho tinta, Bicho Ovo, Peixe pássaro, És tu, orelha flor?, Mulher trançuda, Cavalo trança, Eu no Monte das Oliveiras. Filha de Clemente Tiago Diniz e Malvina Garcia Diniz, teve dez irmãos, dos quais sobreviveram seis, nascidos no município de Palhoça. Trabalhou como balconista e aos 16 anos ensinou no grupo escolar para ajudar a família. Estudou até o Normal Regional e fez o curso de educação física. Casou-se aos 22 anos com o comerciário José Urbano Heil e permaneceu por anos como professora de educação física de uma escola de Florianópolis (SC). Iniciou-se como autodidata na pintura em 1962. Expôs pela primeira vez em 1966, no 21º Salão Municipal de Belas Artes, em Belo Horizonte (MG). Dois anos depois, realizou mostra individual na capital mineira. Integrou a mostra coletiva Instinto e Criatividade Popular, no MNBA, do Rio de Janeiro (1975) com curadoria de Lélia Coelho Frota. Participou das exposições Arte Brasil Hoje 50 Anos Depois, em São Paulo (1974), Peintres Naifs Brésiliens de L´Imaginaire, em Paris (1976) e Artistas de Santa Catarina, Rio de Janeiro (1978), da Bienal Latino-americana de Mito e Magia, São Paulo (1979), da 6ª Bienal de São Paulo, Sala de Arte Incomum (1981). Em 1987 participou da mostra Brésil, Arts Populaires, no Grand Palais, Paris, com seu grande óleo sobre courvin Deus escolheu este lugar. É figura exponencial não apenas da arte catarinense, como também da criação brasileira do século XX.

Louco [Boaventura da Silva Filho]

1932, Cachoeira/BA – 1992, Cachoeira/BA

“Louco”, apelido de Boaventura Silva Filho, está certamente entre aqueles artistas que, segundo Gilberto Velho, construíram uma biografia a partir do campo de possibilidades “bastante típico da sociedade moderna, aparecendo fortemente solidário com o desenvolvimento de ideologias individualistas”.

Louco encontra-se, certamente, entre os grandes nomes da escultura brasileira do século XX. O jacarandá, a jaqueira, a sucupira, o vinhático, estão entre as madeiras que ele trabalhou por mais de três décadas, construindo uma veemente galeria de personagens sobrenaturais, que se distribuem entre a iconologia católica e a afro-baiana, ou as mesclam. Os títulos de suas obras deixam patente essa dupla filiação religiosa: Cabeça de Oxalá, Santa Ceia, Tocando atabaque, Iemanjá, Cristo, Oxalá Cristo, Grande, Anjo de candomblé. Esta escultura transculturada é bem visível no Cristo longilíneo com feições negras e na Última Ceia, sustentada, segundo ele, por escravos que estampamos aqui. Na escultura de Louco o ritmo sobressai como elemento construtivo dos mais importantes. Quer na sucessão de figuras seriais a formar sempre blocos harmônicos, quer na própria incisão com a goiva na superfície da madeira, que ele esfola, escama e ondeia. Seus personagens sobrenaturais, seus deuses, como ele os designou a Selden Rodman (1977) são figuras dinâmicas de sofrimento e transporte religioso. Como Agnaldo e Chico Tabibuia, Louco inova ao representar os próprios Orixás em sua escultura, pois a tradição africana, bem como a dos grandes candomblés de Salvador – que ele freqüentou durante um tempo – é abstrata e geométrica em seus pontos riscados ou então indica cada santo pelos seus trajes, adereços e atributos, sem nunca retratá-lo. Como eles, ele emerge do coletivo para uma instância individual, na busca de uma expressão cada vez mais profunda e pessoal, como qualquer artista da elite, construindo o que se chama de “estilo”. Olhos rasgados, e em geral semicerrados, nariz afilado, braços e pernas alongados são apenas elementos que resvalam na descrição do “expressionismo”, no sentido do drama e da dor inesgotávelmente reinventados na forma que confere aos seus trabalhos. Sobre o seu apelido, contou a Selden Rodman (1977): “Quando parei de raspar cabeças e deixar de ser barbeiro para esculpir blocos de madeira, meus vizinhos disseram: o homem é louco. Eu achei um nome artístico ótimo, e deixei de ser Boaventura Silva Filho naquela hora mesmo”. Na realidade, quando ainda era barbeiro Louco esculpia cachimbos de madeira e barro entre o atendimento dos clientes. Começou a fazer cabeças e figuras neles, mas acabaram por ficar tão grandes que passou finalmente para esculturas em blocos de jaqueira, de sucupira, de jacarandá. Levou-as para vender em 1965 no Mercado Modelo, onde foram vistas por Jorge Amado e Mário Cravo Jr., que as compraram, e aí se iniciou o seu renome como artista. Louco passou a vender seu trabalho sem precisar sair de casa, com suas obras disputadas por colecionadores e comerciantes de arte. Pôde então construir no meio de um coqueiral em Cachoeira a sua bela casa branca, redonda, com todas as portas e janelas esculpidas por ele, onde funcionou sua oficina e viveu com a mulher e dez filhos. Em 1972 participou da exposição O Espírito Criador do Povo Brasileiro, coleção Abelardo Rodrigues, em Brasília, e de mostra no Centro Domus, de Mião. Em 1974 integrou Sete Brasileiros e seu universo, com curadoria de Clarival do Prado Valladares, e em 1987 a mostra Brésil, Arts Populaires, no Grand Palais, Paris, com curadoria de Lélia Coelho Frota. Sua obra consta de grandes coleções particulares e integra o acervo dos principais museus de arte popular do país. Também ele criou em torno de si uma “escola”, como é comum em meio popular quando surge um mestre. Transmitiu o seu saber aos familiares: seu filho Celestino, o irmão Maluco, já falecido, e os sobrinhos Maluco Filho, Doidão e Bolão (que assina Louco Filho), e que também se projetam como artistas.

Nuca de Tracunhaém [Manuel Gomes da Silva]

1937, Nazaré da Mata/PE

Nascido no engenho de Pedra Furtada, Nuca, ainda menino, foi com a família de mudança para Tracunhaém, onde seu pai comprou um roçado. Ali a família morou e plantou para a sua subsistência. Chegando a um grande centro cerâmico como Tracunhaém, é natural que Nuca viesse a interessar-se pela olaria, vendo de perto o trabalho de Lídia Vieira e Zezinho, pelo qual declara admiração (O Reinado da Lua, 1980). Casou-se com Maria e continuou no ofício básico da olaria e plantando para sobreviver. É só aos 37 anos de idade que se iniciaria na escultura do barro, solicitado por um antiquário de Recife. Nuca cria, então, a bela escultura dos seus leões, que chegam a quase 1m de comprimento. Talvez os leões de louça portuguesa que ornamentam a entrada de casas antigas de Recife tenham sido o seu ponto de partida. Mas absolutamente distantes da representação realista, estes animais remetem antes aos primeiros séculos da antigüidade clássica. Com um ar arcaico e solene de guardiões – não de moradias comuns, para onde finalmente foram destinados – mas de espaços sagrados, eles resultam de uma concepção harmoniosa de volume e tratamento das superfícies, alternadamente lisas e trabalhadas com jubas de pêlos encaracolados, ou então, sulcadas a faca. Nuca esculpe nessa ocasião, ainda, figuras humanas dotadas da mesma simplificação ascética e arcaica da forma, onde os únicos ornamentos são ramagens e flores. Sua mulher, Maria Gomes, modela pequenos leões que chama de carrancas. Roberto Burle Marx colocou leões de Nuca na entrada da casa do seu sítio-museu em Guaratiba, no Rio de Janeiro. Um deles integra o acervo do museu de arte popular do Centro Cultural de São Francisco, João Pessoa, Paraíba, depois de participar da mostra Brésil, Arts Populaires, no Grand Palais, Paris, 1987.

Ranchinho [Sebastião Theodoro Paulino da Silva]

1923, Oscar Bressane/SP – 2003, Assis/SP

O cognome lhe veio realmente de um ranchinho de sapé (àquela altura, um depósito abandonado de ração de galinhas), e de outros barracos não menos insalubres onde ele morou longamente de favor. E não só a miséria afligiu Sebastião Theodoro, filho de lavradores de origem mineira. Até os 3 ou 4 anos de idade, só engatinhava – e depois de conseguir se aprumar, andou sempre meio trôpego. Além dele, mais dois de seus irmãos sofriam de deficiência mental. Ouvia mal, tinha grandes dificuldades no uso da palavra, e não foi capaz de aprender a ler nem escrever: apenas assinava o nome. Só após os 20 anos arranjou seu primeiro trabalho, que era girar a manivela da máquina de um vendedor ambulante de garapa. Não tinha a menor queda para as tarefas do campo, nas quais não conseguia concentrar-se; se lhe davam a enxada, logo a deixava de lado para ficar devaneando, resmungando e espantando os enxames de mosquitos. Viveu de expedientes muito simples, que eram os que conseguia executar – catar papéis, latas, garrafas –, e do auxílio dos que lhe davam roupa velha e comida. Era exibicionista sexual, às vezes agressivo, chegou a ser preso, objeto de campanhas pela imprensa, perdeu os dentes a porradas, e ao caminhar pelas ruas despertava a crueldade e as pedradas da criançada. Parece até ficção. Em suma, um excluído, um pária, um outsider completo, muito mais candidato a fazer arte incomum que de qualquer outra natureza. No entanto, a pintura de Ranchinho não é arte incomum; não possui, desta, o conteúdo delirante, as fantasias místicas, a impossibilidade de perceber a realidade exterior imediata, as repetições obsessivas. Nenhum de seus quadros se assemelha aos dos esquizofrênicos, por exemplo, cuja produção plástica é insólita, algo misteriosa e instigante. No que se refere aos temas, Ranchinho está muito mais para um José Antônio da Silva, caipira da mesma região. Fez uma crônica bastante objetiva da realidade que o cercava; tanto que seu descobridor, o corretor de seguros José Nazareno Mimessi – grande admirador de arte ‘primitiva’ em geral – o chamou de “zeloso repórter amador das atualidades da cidade”.  Se não se conectava satisfatoriamente com o mundo através dos outros sentidos, Ranchinho percebia-o perfeita e integralmente através do olhar, e sabia representá-lo com precisão, originalidade e vigor; era o que eu chamaria de um observador inteligente. Consta  que desenhava bem desde a infância. Como artista, despontou aos quase 50 anos. No momento áureo, a pintura de Ranchinho é das mais vibrantes, ricamente colorida (seja em cores variadas e alegres, seja em tons sombrios mas intensos, nas cenas noturnas), gestual, dramática, capaz de lembrar o expressionismo alemão – do qual, evidentemente, ele nunca teve a mais remota notícia. Mas até Ranchinho sabia – à sua maneira – de sua intenção. Não é por outro motivo que, a certa altura, colecionava imagens de folhinhas: porque nelas reconhecia um modelo desejável. Não tenho dúvida de que decalcou algumas dessas imagens: conheço-lhe um quadro de 1979, um Açougue de lindo colorido, cuja impecável perspectiva ele seria, decididamente, incapaz de traçar à mão livre. Em outros termos: estudou. Até Ranchinho quis aperfeiçoar seu instrumento de trabalho criativo.  

Roseno – Antônio Roseno de Lima

(1926 – 1998/ Assis/SP)

Não se sabe muito sobre Antônio Roseno de Lima (1926-1998), imigrante nordestino e pintor ‘primitivo’ ativo na região de Campinas, que se tornou moderadamente conhecido nos últimos anos de vida. Em 1991, chegou a merecer uma matéria na capa da “Ilustrada”, da Folha de São Paulo. Como observou Geraldo Porto, artista e professor da Unicamp (que o descobriu), foram seus quinze minutos de fama. Antes de se dedicar à pintura, entretanto, Roseno havia sido fotógrafo profissional, e mais de uma centena de suas fotos acabaram reunidas e doadas pelo professor Porto ao setor de memória daquela universidade.

O contacto com esse material é surpreendente e irresistível. Certamente é esta a primeira vez em que se apresenta, em público, a manifestação de uma sensibilidade e uma arte não eruditas sobre um suporte tecnicamente sofisticado e evoluído, como a fotografia – que até hoje fora privilégio de outros tipos de artista. Como José Antônio da Silva, Roseno realiza, com uma curiosa mistura de simplicidade quase rudimentar e sofisticação, um saboroso retrato interiorano do Brasil – claro que em estilo inteiramente diferente. Algumas obras recebem uma interferência de pintura nada realista, exibindo superfícies de cor chapadas e amplas e coloridos não imitativos. Quer nessas fotos com interferências, quer nas fotos deixadas no estado original, o trabalho de Roseno é vivo e diferente de todo o resto. Será sem dúvida uma revelação.

9ª BIENAL NAÏFS DO BRASIL 2008
Organização: SESC São Paulo
De 05 de setembro a 14 de dezembro de 2008
SESC Piracicaba – Rua Ipiranga, 155 – Centro
De terça a sexta das 13h30 às 21h30
Sábados, domingos e feriados das 9h30 às 17h30
Entrada franca   
Informações: http://www.sescsp.org.br ou pelo 0800 7700445
70 artistas selecionados
107 obras – diversos formatos e suportes
pinturas, esculturas, aquarelas.
Sala especial com curadoria de Olívio Tavares de Araújo
08 artistas selecionados
64 obras – pinturas, esculturas e fotografias.

Hitler, um filme da Alemanha em SP

A Cinemateca Brasileira, com o apoio do Goethe Institut de São Paulo, exibe novamente Hitler, um filme da Alemanha (1977), de Hans-Jürgen Syberberg, numa maratona de 8 sessões no final de semana. Última parte da trilogia formada por Ludwig, réquiem para um rei virgem (1972) e Karl Mayer – procura do paraíso perdido (1974), Hitler, um filme da Alemanha, caminha de maneira radical na contramão das técnicas tradicionais da linguagem cinematográfica. Com um estilo de representação anti-naturalista, o filme retoma de forma original a tradição estética de Eisenstein, a música de Wagner e o teatro épico de Bertolt Brecht para escancarar as artimanhas do espetáculo nazista.

No filme, atores e bonecos representam as personagens-chave da história num cenário de circo macabro, de paisagens kitsch e de cinejornais silenciosos projetados como pano de fundo. Syberberg procura desvendar o fenômeno nazista em suas raízes e contextos mitológicos, confrontando-o com Ludwig II, Karl May e Richard Wagner, marcos da história e da cultura alemãs. Proibido na Alemanha, Hitler… foi exibido no Festival de Londres em 1977 e no Festival de Cannes em 1978. Celebrado pela crítica e por grandes personalidades da história da cultura – Susan Sontag dedicou a ele um longo e elogioso artigo – foi distribuído nos Estados Unidos sob os cuidados de Francis Ford Coppola que o considerou “uma obra que faz com que todos os filmes de hoje em dia pareçam triviais ou fora de moda”. A Cinemateca Brasileira oferece mais uma vez ao público a chance de assistir às quatro partes deste marco do cinema moderno alemão. Classificação indicativa: 16 anos.

CINEMATECA BRASILEIRA

Largo Senador Raul Cardoso, 207

próxima ao Metrô Vila Mariana

Outras informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)

http://www.cinemateca.gov.br

Ingressos: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada)

Atenção: Estudantes do Ensino Fundamental e Médio de Escolas Públicas têm direito à entrada gratuita mediante a apresentação da carteirinha.

PROGRAMAÇÃO

30.08 I SÁBADO

14h00

Hitler, um filme da Alemanha – O Graal

16h00

Hitler, um filme da Alemanha – Um sonho alemão

18h30

Hitler, um filme da Alemanha – O Graal

20h30

Hitler, um filme da Alemanha – Um sonho alemão

31.08 I DOMINGO

14h00

Hitler, um filme da Alemanha – O fim de um conto de inverno

16h00

Hitler, um filme da Alemanha – Nós, filhos do inferno

18h30

Hitler, um filme da Alemanha – O fim de um conto de inverno

20h30

Hitler, um filme da Alemanha – Nós, filhos do inferno

FICHA TÉCNICA E SINOPSE

Hitler, um filme da Alemanha (Hitler – ein Film aus Deutschland), de Hans-Jürgen Syberberg

República Democrótica Alemã/Reino Unido/França, 1977, 35mm, cor/pb, 442min I Legendas em inglês I Exibição em DVD

Cineasta inclassificável, Syberberg misturou literatura, teatro, ópera e música na composição de seu cinema. Contemporôneo da geração do Novo Cinema Alemão, nunca se deixou identificar com facilidade. Apesar disso, sua obra mantêm traços em comum com as de Alexander Kluge e Rainer Werner Fassbinder, entre os quais a assumida referência ao teatro de Brecht e a necessidade de enfrentar os traumas da história alemã. Dividido em quatro partes – O Graal (parte 1), Um sonho alemão (parte 2), O fim de um conto de inverno (parte 3) e Nós, filhos do inferno (parte 4) – o filme traça o caminho de ascensão e queda do terceiro Reich.

SOBRE HANS-JÜRGEN SYBERBERG

Filho de uma família de propietórios rurais, Hans-Jürgen Syberberg nasceu em 1935. Sua paixão pela fotografia e pelo cinema o levou até o Berliner Ensemble, grupo de teatro fundado pelo dramaturgo Bertolt Brecht, onde o jovem de 17 anos filmou com uma câmera 8mm cenas de montagens e ensaios do grupo. Em 1953, Syberberg transferiu-se para Berlim Ocidental de onde viajou para outras cidades européias. Em 1956, iniciou em Munique seus estudos sobre literatura e história da arte, formando-se em 1963. Dois anos depois, fundou sua própria produtora e realizou um documentário sobre Romy Schneider, Romy, Anatomie eines Gesichtes. Em 1972, Syberberg dirigiu Ludwig, Réquiem para um Rei Virgem, atravé?s do qual descobre a música de Wagner. A experiência o incita a realizar a trilogia sobre cem anos de história alemã: depois de Ludwig, Syberberg filma Karl May – à procura do paraíso perdido e Hitler, um filme da Alemanha.

Duo Wispelwey – Strosser nos Concertos Hebraica 2008

Os Concertos Internacionais Hebraica 2008, iniciativa da Associação Brasileira “A Hebraica”, continuam trazendo ao público paulistano o que de melhor se tem hoje no mundo na música de câmara. No quinto dos oito concerto da temporada, na quinta-feira 28 de Agosto, às 21 horas, apresenta-se o duo Pieter Wispelwey-Emmanuel Strosser, violoncelo e piano.

Violoncelista completo – Um dos mais destacados solistas de violoncelo da cena internacional, o holandês Pieter Wispelwey, 46 anos, tem sido chamado “o violoncelista completo”, por expressar-se com igual fluência com os violoncelos barroco e moderno e por incluir em seu repertório todas as grandes obras para violoncelo escritas a partir do período barroco e também peças contemporâneas de jovens compositores. Sua carreira atravessa os cinco continentes, com freqüentes apresentações em recitais solo, nas mais diversas formações de câmara e como solista de orquestra.

Nesta sua nova visita ao Brasil Wispelwey apresenta-se em duo com o francês Emmanuel Strosser, 43, pianista bastante conhecido do público brasileiro, músico de amplo domínio técnico e grande musicalidade, que vem se destacando especialmente como camerista.

Obras consagradas – O programa do recital do duo Wispelwey-Strosser começa com a linda “Sonata Arpeggione”, escrita em 1824 por Franz Schubert com o objetivo de divulgar um então novíssimo instrumento, o “arpeggione”, primo-irmão do violoncelo, porém com seis cordas. A sonata é hoje habitualmente interpretada ao violoncelo, e considerada uma das obras tecnicamente mais difíceis do repertório para o instrumento.

Na seqüência, a “Sonata nº 1 op. 78” de Brahms, originalmente escrita para violino e piano, e a “Sonata op. 5 nº 2”, de Beethoven.

Na parte final, Wispelwey e Strossere apresentam peças de Frederic Chopin. Uma dela é a “Introdução e Polonaise Brilhante op. 3”, para cello e piano, esta uma das raras peças do compositor polonês escritas para outro instrumento que não o piano solo.

As três outras são clássicos pianísticos de Chopin (“Prelúdio op. 28 nº 2 “, “Noturno op. 27 nº 2” e “Valsa nº 1 op. 18”), mas apresentadas em transcrições para violoncelo e piano.

Também via internet – Todos os eventos da série “Concertos Internacionais Hebraica 2008” têm transmissão simultânea via internet, através do sáite da Associação Brasileira “A Hebraica” de São Paulo, em www.hebraica.org.br.

As transmissões têm início aproximadamente 15 minutos antes do horário de início do concerto e não são gravadas – ou seja, não podem ser assistidas posteriormente.

SERVIÇO
Concertos Internacionais Hebraica 2008
Teatro Arthur Rubinstein
28 de Agosto de 2008, quinta-feira, 21 horas
PIETER WISPELWEY, violoncelo (Holanda)
EMMANUEL STROSSER, piano (França)

P R O G R A M A
* F. Schubert (1797-1828)- Sonata em lá menor, D.821, “Arpeggione”
              o Allegro moderato
              o Adagio
              o Allegretto

* J. Brahms (1833-1897) – Sonata nº 1 em sol maior, op. 78 (“Regen”)
              o Vivace ma non troppo
              o Adagio
              o Allegro molto moderato

* L. v. Beethoven (1770-1827) – Sonata nº 2 em sol menor, op. 5 nº 2
              o Adagio sostenuto ed espressivo
              o Allegro molto più tosto presto
              o Rondo (Allegro)

* F. Chopin (1810-1849)

            * Prelúdio em lá menor, op. 28 nº 2
            * Noturno em dó menor, op. 27 nº 2
            * Valsa nº 1 em mi bemol maior, op. 18
            * Introdução e Polonaise brilhante para violoncelo e piano em dó maior, op. 3

Local:
Teatro Arthur Rubinstein A Hebraica (522 lugares)
Rua Hungria 1000, Jardim Paulistano, tel. 3818-8888
Ingressos:
R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia-entrada e sócios)
Informações e vendas:
Associação “A Hebraica” – tel. 3818-8888
Ingresso Rápido – tel. 4003-1212, www.ingressorapido.com.br

Sobre os músicos
Pieter Wispelwey, violoncelo (Holanda)
Sentindo-se igualmente à vontade com os violoncelos barroco e moderno e abrangendo um repertório que inclui Elliot Carter, Kagel e Schnittke, jovens compositores notáveis e todas as grandes obras para violoncelo, escritas a partir do período barroco, Pieter Wispelwey poderá ser justamente apelidado de “o violoncelista completo”. A diversidade da sua personalidade musical tem raízes na formação que recebeu – de Dicky Boeke e Anner Bylsma em Amsterdã, Paul Katz nos Estados Unidos e William Pleeth no Reino Unido.

Em 1992, Pieter Wispelwey foi o primeiro violoncelista a receber o Prêmio de Música da Holanda. A sua carreira atravessa os cinco continentes, incluindo concertos no Japão, na Europa, na América e na Austrália, além de recitais em Amsterdã (Concertgebouw), Londres (Wigmore Hall), Paris (Châtelet), Buenos Aires (Teatro Colón), Boston, Montreal, Salzburg, Lyon e Bruxelas. Entre outras orquestras, Pieter Wispelwey apresentou-se com a Orquestra Filarmônica de Roterdã (com Kent Nagano), a Orchestre des Champs-Elysées (com Philipp Herreweghe), a Orquestra Sinfônica da BBC e a Camerata Acadêmica de Salzburg (com Roger Norrington). Com a Orquestra de Câmara Australiana gravou o Concerto para Violoncelo Nº 1 de Shostakovitch no “99′ Shostakowitsh”. A interpretação teve uma boa recepção por parte da crítica e foi-lhe atribuído o Prêmio Edison. Compromissos recentes incluíram concertos com os seguintes grupos: Orquestra Filarmônica de Flandres, Orquestra de Câmara Gustav Mahler, Orquestra Nacional Russa, Orquestra Filarmônica de Roterdã e Orquestra Filarmônica de São Petersburgo. Foi também convidado pelo Festival ”Mostly-Mozart” de Nova York. Atuou no Festival de Edimburgo e em Schwarzenberg (Schubertiade) com o pianista Dejan Lazic.
A discografia de Pieter Wispelwey, para o selo Channel Classics, inclui as Suítes para Violoncelo solo de J. S. Bach, Benjamin Britten e Max Reger, as Sonatas de Beethoven, Brahms, Schubert, Schumann, Chopin, Poulenc, Fauré (em conjunto com o pianista Paulo Giacometti), Kodály, Crumb, Hindemith e Ligeti. Pieter Wispelwey gravou também os Concertos de Vivaldi, Haydn, Dvorák, Schumann, Elgar, Saint-Saëns, Tchaikovsky, Bruch e Lutoslawski. Grande parte das suas gravações tem recebido mereceu elogios da crítica e muitos prêmios. Seu mais recente CD, lançamento de 2008, tem o Concerto Nº 2 de Shostakovich (com a Sinfonietta Crakovia sob regência de Jurjen Hempel) ao lado da 3ª suíte para violoncelo solo de Britten.

Emmanuel Strosser, piano (França)
Nascido em Strasburgo, Emmanuel Strosser iniciou seus estudos musicais, na sua cidade natal, aos 6 anos de idade com Hélène Boschi. Continua seus estudos no Conservatório Nacional Superior de Música de Paris com Jean-Claude Pennetier (piano) e Christian Ivaldi (música de câmara). Foi premiado nestas duas disciplinas por unanimidade antes de ingressar nos cursos de aperfeiçoamento com Leon Fleisher, Dimitri Bashkirov e Maria João Pires. Laureado no concurso internacional de música de câmara de Florença, foi finalista também, em 1991, no concurso Clara Haskil e toca com a Orquestra de Câmara de Lausanne. Strosser é também assistente da classe de Alain Planès no Conservatório Nacional Superior de Música de Paris.
O magnífico entrosamento obtido com seus parceiros de música de câmara e sua compreensão dos textos fazem dele um intérprete freqüentemente solicitado por seus companheiros: Claire Désert, Christian Ivaldi, Jean-François Heisser, Régis Pasquier, Raphaël Oleg, Vladimir Mendelssohn e o quarteto Ysaye.
Ele se apresenta regularmente também como solista, em recital ou com orquestra (Orquestra Filarmônica da Radio-France, Ensemble Orquestral de Paris, Orquestra de Picardie, Orquestra de Câmara de Toulouse) e é convidado nos mais prestigiosos festivais como o Musicades de Lyon, Festival d’ Evian ou ainda o Festival Roque d’Anthéron.
Participou de numerosas gravações, todas elogiadas pela crítica, em especial seu CD dedicado a Mozart, pelo selo Harmonia Mundi e ainda a gravação das Sonatas opus 10 de Beethoven pela qual ganhou o prêmio Choc du Monde de la Musique.

Festival de Veneza 08 abre com curta da Mostra de SP

Do Visível ao Invisível tem exibição no dia 27 de agosto, quarta-feira

“Neste pequeno filme, improvisado um tanto à pressa, de certo modo ironizo a artificialidade das sociedades e dos consumos exacerbados, hoje um tanto em voga como os velozes avanços técnicos (reconheçamos que extraordinários em si mesmos), mas que vão roubando a nossa querida privacidade e a nossa não menos querida tranqüilidade, poluindo diariamente a terra, o mar e o ar, sob o sereno consentimento das leis internacionais e em nome do que se chama – progresso.”

Manoel de Oliveira                                              Porto, Julho de 2008

O curta-metragem brasileiro Do Visível ao Invisível/From Visible to Invisible, dirigido pelo cineasta português Manoel de Oliveira e produzido pela Mostra Internacional de Cinema/São Paulo International Film Festival, foi escolhido como o filme de abertura do 65º Festival de Veneza, e será exibido no próximo dia 27 de agosto, antes do longa-metragem americano Burn After Reading, dos irmãos Ethan e Joel Coen.

Do Visível ao Invisível é produzido por Renata de Almeida e Leon Cakoff, diretores da Mostra, e tem também Leon Cakoff como ator, ao lado do português Ricardo Trepa.

O curta faz parte do longa-metragem Mundo Invisível/Invisible World, projeto em construção da Mostra Internacional de Cinema/ São Paulo International Film Festival em parceria com a Gullane Filmes e as Oficinas Querô. O projeto partiu de uma idéia original de Serginho Groisman sobre situações de invisibilidade no mundo atual. A exemplo do longa-metragem em episódios anterior produzido pela Mostra de São Paulo, Bem-Vindo a São Paulo/ Welcome to São Paulo, vários diretores internacionais serão convidados para completar o projeto com suas colaborações.

O argumento e o roteiro do curta-metragem Do Visível ao Invisível foram originalmente escritos pelo próprio Manoel de Oliveira, cineasta ainda ativo no vigor de seus quase 100 anos de idade, a serem completados em dezembro próximo. O filme trata com ironia e fino humor do reencontro surpreendente de dois amigos, Ricardo e Leon, na avenida Paulista, coração de São Paulo. Um é português, de passagem pelo Brasil, e o outro é brasileiro. Eles tentam conversar, mas ora o celular de um, ora o do outro, toca, impedindo a conversa de se completar. Finalmente, eles decidem telefonar um ao outro para poder se comunicar. Falam da vida, da ética, do amor, da amizade e dos tempos que correm, cercados pelo ritmo incessante da cidade, com seus automóveis e pessoas que não podem parar.

O mestre Oliveira consegue sintetizar em poucos minutos toda a ironia do mundo moderno, servido por sofisticados aparatos de comunicação. E que, apesar deles, a comunicação que temos, pouca serventia parece ter para corrigir os rumos do mundo.

A mesma noite inaugural do 65º Festival de Veneza será seguida pela exibição do novo longa-metragem norte-americano Burn After Reading, comédia de humor negro sobre um agente da CIA cuja identidade secreta é descoberta. O longa foi escrito, produzido e dirigido pelos irmãos Ethan e Joel Coen, com elenco formado por George Clooney, Frances McDormand, John Malkovich, Tilda Swinton, Richard Jenkins e Brad Pitt. O 65º Festival de Veneza transcorre até o dia 6 de setembro, quando serão anunciados os vencedores de seus tradicionais Leões de Ouro.

Segunda edição do Projeto Portfólio recebe exposição em São Paulo

Projeto da agência de comunicação integrada Aktuell abriga obras de Emerson Pingarilho e Luiz Roque até novembro

SÃO PAULO, 20/08/2008 – Os artistas Emerson Pingarilho (séries de pinturas e ilustrações) e Luiz Roque (criações audiovisuais) são os convidados da segunda edição do Projeto Portfólio, que abre as portas para visitação mediante agendamento a partir da próxima sexta-feira (22), em São Paulo, com entrada gratuita.

O Projeto Portfólio é uma iniciativa da agência de comunicação integrada Aktuell, sediada na capital paulista, que tem como objetivo integrar a arte contemporânea ao seu ambiente de trabalho de forma permanente, ao mesmo tempo em que promove uma reflexão sobre a produção artística contemporânea.

Dividida em duas propostas – a Galeria Parede e a Galeria Elevador –, o Projeto Portfólio abriga exposições regulares de novos nomes relevantes das artes visuais.

Passada a temporada de estréia, que contou com as fotografias de Felipe Morozini (Galeria Parede) e a pesquisa de equipamentos e criações audiovisuais de Letícia Ramos (Galeria Elevador), o Projeto Portfólio vai expor durante 90 dias as obras de Emerson Pingarilho e Luiz Roque.

Segundo o diretor da Aktuell, Rodrigo Rivellino, investir em arte é uma maneira da sua agência ir além das referências culturais cotidianas. “Qualquer agência que se preze precisa respirar um ambiente de arte e de idéias autônomo às suas necessidades comerciais, por isso o desenvolvimento deste projeto permanente de artes visuais ocupando os espaço da agência com total respeito às obras dos artistas”, pontua.

Sobre os artistas da temporada

Galeria Parede:
EMERSON PINGARILHO

Das ruas de Porto Alegre para o circuito da arte, Emerson Pingarilho é um gaúcho-amazonense radicado em São Paulo. Desenhista e pintor, elabora um imaginário pessoal composto por animais, seres eróticos e sonhos premonitórios. Foi desta paixão que surgiu um modo de expressão próprio, fundamentado também nas poéticas do cinema e da escultura. Pingarilho é um dos fundadores do Coletivo de artistas Upgrade do Macaco, que desenvolve em conjunto performances, mostras e filmes experimentais. Individualmente, fez exposições itinerantes no cenário cultural, como o work in progress de live painting “Desconstruindo Gigantes”, ao lado de Bruno 9Li, e acaba de finalizar o média-metragem “Adonai”, rodado em Porto Alegre. Atualmente estuda pintura e escultura e faz Mestrado no Núcleo de Subjetividade da PUC. Para o Projeto Portfólio, o artista traz algumas de suas séries mais recentes. Entre elas, merece destaque “A Faca da Disciplina”, baseada em nanquim, além de “Crianças Ocas”, “Mudra” e “Ossos Delicados”.

Galeria Elevador:
LUIZ ROQUE

Realizador nas áreas de cinema, vídeo e fotografia, Luiz Roque se movimenta com a mesma desenvoltura em imagens estáticas e em movimento – seja em projetos artísticos autorais, seja em produções cinematográficas “tradicionais”. Em 2004 realizou a videoprojeção “Half Pipe”, no Centro Administrativo do Estado, em Porto Alegre, que se notabilizou por transformar uma parede elíptica de um ponto arquitetônico tradicional da capital gaúcha em um grande downhill de skate. O vídeo “Estufa”, realizado em parceria com Letícia Ramos no mesmo ano, fez parte da mostra Video Links Brasil – An Antology of Brazilian Video Art 1981-2005, na Tate Modern em Londres. Já seu filme “Projeto Vermelho”, de 2006, recebeu prêmios no Brasil e integrou importantes mostras competitivas internacionais, como a seleção oficial do 25FPS em Zagreb (Croácia) e a 12ª Bienal da Imagem em Movimento em Genebra (Suíça). Estes trabalhos o levaram a uma participação no 6º Talent Campus, workshop integrante do Festival de Cinema de Berlim. Como diretor de arte cinematográfico, assinou longas-metragens como “Cão Sem Dono” (Beto Brant e Renato Ciasca), “Ainda Orangotangos” (Gustavo Spolidoro) e trabalha neste momento em “Cabeça a Prêmio”, primeiro longa dirigido pelo ator Marco Ricca. O Projeto Portfólio receberá alguns de seus trabalhos mais recentes, como “Na Linha”, “Treinamento” e “Piknik” – os dois últimos, integrantes da Temporada de Projetos 2008, no Paço das Artes de SP, no último mês de março.

O QUÊ: Segunda temporada do Projeto Portfólio, exposição de artes visuais com obras de Emerson Pingarilho (pintura e ilustração) e Luiz Roque (audiovisual)
QUANDO: Aberto para visitação mediante agendamento (pelo telefone [11] 3775.9889) de 22 de Agosto a 07 de Novembro
ONDE: Aktuell – Rua Edson 11, esquina Av. Santo Amaro – Campo Belo / São Paulo
QUANTO: Grátis

Odisséia de cinema retorna com interatividade

Nova temporada da Odisséia de Cinema propõe que cinéfilos participem da escolha do filme surpresa

No dia 29 de agosto, sexta-feira, a partir das 23h, o Espaço Unibanco de Cinema e a Rain realizam mais uma edição da Odisséia de Cinema, evento que atrai cinéfilos para uma noite de filmes e balada nas dependências do cinema localizado na Rua Augusta, 1475, Cerqueira César.

A nova temporada da Odisséia de Cinema já tem edições garantidas  em setembro, outubro e novembro e chega com uma novidade: os cinéfilos poderão escolher o filme-surpresa da noite através do site http://www.moviemobz.com.br, bastando se cadastrar, entrar no MovieClube Odisséia de Cinema e votar em uma das três opções disponíveis a cada edição.

Para a edição do dia 29 de agosto, o público pode escolher entre Cashback, de Sean Ellis, Speed of Life, de Ed Radtke e Tv Junkie, de Michael Cain e Matt Radecki, votando nos endereços:

Cashback – http://www.moviemobz.com/film/profile/mid/139
Speed of life – http://www.moviemobz.com/film/profile/mid/155
TV Junkie – http://www.moviemobz.com/film/profile/mid/156

O filme mais votado será a surpresa da noite. A cada nova edição serão oferecidas outras três opções de filmes.

Ao comprar o ingresso para a Odisséia de Cinema os espectadores podem assistir até 3 filmes durante a madrugada, sendo uma pré-estréia, um filme-surpresa e uma estréia da semana, com intervalos embalados por DJ’s no foyer do cinema.

A nova temporada da Odisséia de Cinema conta com o patrocínio da Oi, e a edição de agosto tem também o patrocínio da NISSIN, que promoverá degustação gratuita dos novos sabores de NISSIN CUP NOODLES.

Como de costume, o evento termina por volta das 6h do dia seguinte, com café da manhã.

O ingresso custa R$ 16 (inteira) e R$ 8 (meia) e a classificação do evento é 18 anos. Ao comprar o ingresso o espectador pode optar pela programação de uma das três salas.

A programação da Odisséia de Cinema do dia 29 de agosto será divulgada até a próxima terça-feira, dia 26, no site da Rain http://www.rain.com.br, e enviada para a imprensa junto com a programação do Espaço Unibanco de Cinema, que é divulgada semanalmente.

Serviço
Odisséia de Cinema, no Espaço Unibanco
Dia 29 de agosto, a partir das 23h
Local: Espaço Unibanco de Cinema – Rua Augusta, 1475 – Cerqueira César
Telefone: 11 3288-6780
Ingressos: R$ 16 (inteira) e R$ 8 (meia)
Classificação: 18 anos
Realização: Rain e Espaço Unibanco de Cinema
Patrocínio: Oi e NISSIN