Festival de Veneza 08 abre com curta da Mostra de SP

Do Visível ao Invisível tem exibição no dia 27 de agosto, quarta-feira

“Neste pequeno filme, improvisado um tanto à pressa, de certo modo ironizo a artificialidade das sociedades e dos consumos exacerbados, hoje um tanto em voga como os velozes avanços técnicos (reconheçamos que extraordinários em si mesmos), mas que vão roubando a nossa querida privacidade e a nossa não menos querida tranqüilidade, poluindo diariamente a terra, o mar e o ar, sob o sereno consentimento das leis internacionais e em nome do que se chama – progresso.”

Manoel de Oliveira                                              Porto, Julho de 2008

O curta-metragem brasileiro Do Visível ao Invisível/From Visible to Invisible, dirigido pelo cineasta português Manoel de Oliveira e produzido pela Mostra Internacional de Cinema/São Paulo International Film Festival, foi escolhido como o filme de abertura do 65º Festival de Veneza, e será exibido no próximo dia 27 de agosto, antes do longa-metragem americano Burn After Reading, dos irmãos Ethan e Joel Coen.

Do Visível ao Invisível é produzido por Renata de Almeida e Leon Cakoff, diretores da Mostra, e tem também Leon Cakoff como ator, ao lado do português Ricardo Trepa.

O curta faz parte do longa-metragem Mundo Invisível/Invisible World, projeto em construção da Mostra Internacional de Cinema/ São Paulo International Film Festival em parceria com a Gullane Filmes e as Oficinas Querô. O projeto partiu de uma idéia original de Serginho Groisman sobre situações de invisibilidade no mundo atual. A exemplo do longa-metragem em episódios anterior produzido pela Mostra de São Paulo, Bem-Vindo a São Paulo/ Welcome to São Paulo, vários diretores internacionais serão convidados para completar o projeto com suas colaborações.

O argumento e o roteiro do curta-metragem Do Visível ao Invisível foram originalmente escritos pelo próprio Manoel de Oliveira, cineasta ainda ativo no vigor de seus quase 100 anos de idade, a serem completados em dezembro próximo. O filme trata com ironia e fino humor do reencontro surpreendente de dois amigos, Ricardo e Leon, na avenida Paulista, coração de São Paulo. Um é português, de passagem pelo Brasil, e o outro é brasileiro. Eles tentam conversar, mas ora o celular de um, ora o do outro, toca, impedindo a conversa de se completar. Finalmente, eles decidem telefonar um ao outro para poder se comunicar. Falam da vida, da ética, do amor, da amizade e dos tempos que correm, cercados pelo ritmo incessante da cidade, com seus automóveis e pessoas que não podem parar.

O mestre Oliveira consegue sintetizar em poucos minutos toda a ironia do mundo moderno, servido por sofisticados aparatos de comunicação. E que, apesar deles, a comunicação que temos, pouca serventia parece ter para corrigir os rumos do mundo.

A mesma noite inaugural do 65º Festival de Veneza será seguida pela exibição do novo longa-metragem norte-americano Burn After Reading, comédia de humor negro sobre um agente da CIA cuja identidade secreta é descoberta. O longa foi escrito, produzido e dirigido pelos irmãos Ethan e Joel Coen, com elenco formado por George Clooney, Frances McDormand, John Malkovich, Tilda Swinton, Richard Jenkins e Brad Pitt. O 65º Festival de Veneza transcorre até o dia 6 de setembro, quando serão anunciados os vencedores de seus tradicionais Leões de Ouro.

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