Alain Resnais em SP

Centro Cultural Banco do Brasil apresenta ALAIN RESNAIS: A REVOLUçÃo discreta da memória, de 3 a 21 de setembro em São Paulo

“Em um filme, tento alcançar a complexidade do pensamento, seu mecanismo interno. Quando conseguimos descer até o inconsciente, a emoção nasce. E o cinema deveria ser sempre uma montagem de emoções” – Alain Resnais

O Centro Cultural Banco do Brasil apresenta, de 3 a 21 de setembro em São Paulo, a mostra Alain Resnais: A Revolução Discreta da Memória, homenagem a esse grande cineasta francês, trazendo pela primeira vez ao Brasil uma retrospectiva integral de sua obra no ano em que se comemoram os 60 anos de uma carreira brilhante, repleta de obras-primas.

Com curadoria de Cristian Borges, Gabriela Campos e Ines Aisengart (curadores da Mostra “Agnès Varda: o movimento perpétuo do olhar”), a mostra reúne 17 longas e 7 curtas, do curta Van Gogh (1948) ao longa Medos Privados em Lugares Públicos (Melhor Direção no Festival de Veneza 2006), além de outros dois documentários sobre o cineasta.

Além da exibição dos filmes, a mostra “Alain Resnais” lançará um grande catálogo sobre o cineasta, um registro histórico e inédito no Brasil, com a tradução de uma entrevista do diretor à revista Cahiers du Cinéma em 2006, ensaios inéditos dos críticos e pesquisadores franceses Jean-Louis Leutrat e Suzanne Liandrat-Guigues, dos críticos brasileiros João Luiz Vieira e Alessandra Brum, da figurinista Kika Lopes e do cineasta e artista plástico Cao Guimarães. Haverá ainda um debate com especialistas na obra de Resnais, como Ismail Xavier e André Parente e o curso Espaço e o Imaginário: o cinema de Alain Resnais, ministrados por Cristian Borges, um dos curadores do evento (ver arquivo em anexo).

Os filmes serão exibidos em cópias 35mm, sendo que sete dos filmes (Hiroshima, meu amor; O ano passado em Marienbad; Muriel ou O tempo de um retorno; Stavisky; As estátuas também morrem; Noite e nevoeiro) serão exibidos com cópias novas, feitas pela Embaixada da França, em parceria com a mostra.

Gênio do cinema, Resnais realiza seu primeiro longa-metragem ao mesmo tempo em que surge a Nouvelle Vague, o movimento dos críticos da revista “Cahiers du Cinéma” liderado por Truffaut e Godard. Rodado no mesmo ano de “Acossado”, Hiroshima Meu Amor (1959), com roteiro da escritora Marguerite Duras, tem grande repercussão de público e crítica. A história de amor entre um japonês e uma atriz francesa faz uma inovadora reflexão sobre o amor, a memória e a guerra.

Dois anos depois, Resnais realiza o filme que é considerado por muitos críticos a sua obra-prima. O Ano Passado em Marienbad (1961) retoma os mesmos temas na história de um homem que tenta fazer uma mulher lembrar que foram amantes há um ano. O filme ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza.

Resnais é conhecido por desconstruir os códigos da narrativa no cinema, explorando personagens e épocas diferentes em um mesmo lugar (A Vida é um Romance, O Ano Passado em Marienbad), ou em um universo voluntariamente artificial e teatral. Sua montagem característica justapõe espaços e tempos diferentes para sondar a memória coletiva ou individual. Pelos filmes de Resnais, perpassam outros grandes temas como o poder da imagem, o papel da arte, as conseqüências da guerra, o amor e a solidão.

Alain Resnais: A Revolução Discreta da Memória tem o apoio da Embaixada Da França No Brasil (e de seus Consulados no Rio e em São Paulo), assim como do Ministère Des Affaires Étrangères, em Paris.

Alain Resnais – biografia

Nascido em Vannes (Bretanha) em 1922, Alain Resnais manifesta desde sua infância, o gosto pelos desenhos animados, os quadrinhos e o cinema. Mais tarde, descobrindo a literatura e o teatro, se entusiasma a ponto de tornar-se ator, estudando por 2 anos arte dramática. Ainda jovem, após passar pelo serviço militar na Alemanha, Resnais retorna a Paris e de imediato mergulha na atividade cinematográfica.

Começando a filmar curtas amadores sobre pintores, em meados dos anos quarenta, Alain Resnais realizaria em 1948 aquele que é considerado seu primeiro curta de fato: “Van Gogh”. A partir deste filme e graças ao seu enorme talento e sensibilidade, ele realizaria uma série de curtas que entrariam não apenas para a história do formato, mas para a história do próprio cinema. “Gauguin” e “Guernica”, ainda ligados ao universo das artes plásticas, continuariam revolucionando na maneira de se filmar a pintura. Dariam seqüência “As Estátuas Também Morrem” (sobre a força da arte africana e sua usurpação pelo colonialismo e pela opressão, com roteiro de Chris Marker) e “Toda A Mémória Do Mundo” (percurso poético pelo labirinto da Biblioteca Nacional da França), além de um dos filmes mais fortes e contundentes jamais realizado sobre o Holocausto perpetrado pelos nazistas durante a 2a Guerra Mundial: “Noite E Nevoeiro” (escrito por Jean Cayrol e vencedor do Prêmio Jean Vigo 1956).

Unindo sua experiência como diretor de curtas e montador de longas (entre outros, do primeiro filme de Agnès Varda, “La Pointe Courte”, de 1954), ele realizaria entre o final dos anos cinqüenta e o início dos sessenta, dois dos marcos fundadores do cinema moderno e do que viria a ser conhecido como a Nouvelle Vague francesa: “Hiroshima, Meu Amor”, com roteiro de Marguerite Duras, e “O Ano Passado Em Marienbad” (Leão de Ouro no Festival de Veneza 1961), escrito por Alain Robbe-Grillet, dois dos maiores nomes da literatura francesa na época e figuras emblemáticas do chamado “Nouveau Roman”.

De acordo com Alain Resnais, “deve-se tentar fazer filmes que sejam uma síntese de todos os modos de expressão artística”. Seguindo este princípio, seus filmes passeiam, ao longo de toda sua carreira, por diversas vertentes das artes, sejam elas visuais ou literárias. Tendo como uma de suas principais marcas, durante os anos sessenta e setenta, a constante parceria com grandes escritores literários, a quem ele propunha um ou mais roteiros, Alain Resnais se associaria ainda a Jean Cayrol (“Muriel Ou O Tempo De Um Retorno”), a Jorge Semprun (“A Guerra Acabou” E “Stavisky”), a Jacques Sternberg (“Eu Te Amo, Eu Te Amo”) E Ao Inglês David Mercer (“Providence”).

Somente a partir dos anos oitenta, ele passaria a trabalhar diretamente com roteiristas de cinema, destacando-se sua longa parceria com Jean Gruault (“Meu Tio Da América”, “A Vida É Um Romance” e “Morrer De Amor”), antigo roteirista de François Truffaut, Jean-Luc Godard e Jacques Rivette, e o trabalho mais recente com uma dupla pertencente à nova geração de cineastas franceses, Jean-Pierre Bacri E Agnès Jaoui (“Amores Parisienses”), autores de “O Gosto Dos Outros”.

Podemos destacar ainda o interesse de Resnais pelo universo da HQ, que resultará numa parceria com o cartunista americano Jules Feiffer para a realização do roteiro de “Quero Ir Pra Casa”, filme de 1989.

Também a partir dos anos oitenta e até hoje, certas peças de teatro também passam a inspirar o rico universo poético de Resnais, dando vazão às suas incansáveis experimentações de linguagem. Pouco importa se essas peças pertencem ao repertório contemporâneo francês (“Melô” de Henri Bernstein), inglês (“Smoking/No Smoking” e “Medos Privados Em Lugares Públicos” de Alan Ayckbourn), ou ao mundo das operetas populares do início do século (“Na Boca, Não”, de André Barde).

LISTA DE FILMES

Curtas

VAN GOGH
1948, p&b, 35mm, 8 min

PAUL GAUGUIN
1950, p&b, 35mm, 12 min

GUERNICA
1950-51, p&b, 35mm, 13 min

LES STATUES MEURENT AUSSI (AS ESTÁTUAS TAMBÉM MORREM)
1950-53, p&b, 35mm, 29 min

NUIT ET BROUILLARD (NOITE E NEVOEIRO)
1955, cor e p&b, 35mm, 32 min

TOUTE LA MÉMOIRE DU MONDE (TODA A MEMÓRIA DO MUNDO)
1956, p&b, 35mm, 22 min

LE CHANT DU STYRÈNE (O CANTO DO ESTIRENO)
1958, cor, 35mm, 14 min

Longas

HIROSHIMA MON AMOUR (HIROSHIMA, MEU AMOR)
1959, p&b, 35mm, 90 min

L’ANNÉE DERNIÈRE À MARIENBAD (O ANO PASSADO EM MARIENBAD)
1961, p&b, 35mm, 93 min

MURIEL OU LE TEMPS D’UM RETOUR (MURIEL OU O TEMPO DE UM RETORNO)
1963, cor, 35mm, 116 min

LA GUERRE EST FINIE (A GUERRA ACABOU)
1966, p&b, 35mm, 121 min

JE T’AIME JE T’AIME (EU TE AMO, EU TE AMO)
1968, cor, 35mm, 91 min

STAVISKY (STAVISKY OU O IMPÉRIO DE ALEXANDRE)
1974, cor, 35mm, 115 min

PROVIDENCE
1976, cor, 35mm, 110 min

MON ONCLE D’AMÉRIQUE (MEU TIO DA AMÉRICA)
1980, cor, 35mm, 125 min

LA VIE EST UM ROMAN (A VIDA É UM ROMANCE)
1983, cor, 35mm, 111 min

L’AMOUR À MORT (MORRER DE AMOR)
1984, cor, 35mm, 92 min

MÉLO (MELÔ)
1986, cor, 35mm, 112 min

I WANT TO GO HOME (QUERO IR PRA CASA)
1989, cor, 35mm, 105 min

SMOKING / NO SMOKING
1993, cor, 35mm, 140 e 144 min

ON CONNAÎT LA CHANSON (AMORES PARISIENSES)
1997, cor, 35mm, 120 min

PAS SUR LA BOUCHE (NA BOCA, NÃO)
2003, cor, 35mm, 116 min

COEURS (MEDOS PRIVADOS EM LUGARES PÚBLICOS)
2006, cor, 35mm, 122 min

Documentários

UNE APPROCHE D’ALAIN RESNAIS, RÉVOLUTIONNAIRE DISCRET
(ABORDANDO ALAIN RESNAIS, UM REVOLUCIONÁRIO DISCRETO)
1980, p&b e cor, 59 min
Direção: Michel Le Clerc

L’ATELIER D’ALAIN RESNAIS: AUTOUR D’ON CONNAÎT LA CHANSON
(O ATELIER DE ALAIN RESNAIS: EM TORNO DE AMORES PARISIENSES)
1997, cor, 50 min
Direção: François Thomas

Mostra Alain Resnais – A Revolução Discreta da Memória
De 3 a 21 de setembro
CCBB – São Paulo (rua Álvares Penteado, 112 – Centro)
Cinema: 70 lugares
Ingressos: R$ 4,00 e R$ 2,00 (meia-entrada)
Informações: (11) 3113-3651 / 3113-3652
http://www.bb.com.br/cultura
Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física // Ar-condicionado // Loja // Café Cafezal e Bistrô (wireless). Opções de estacionamentos particulares nas ruas Boa Vista, Senador Feijó e Libero Badaró. Confirmar preços, dias e horários de funcionamento.

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