Mancha roxa na Mostra Plínio Marcos 2008

Às vésperas do aniversário de 20 anos de “mancha Roxa”, o grupo Disritmia Cênica decidiu encenar a peça a partir das ferramentas do teatro contemporâneo, com o intuito de reinventar o universo de Plínio e enaltecer ainda mais a franqueza e a contundência do autor. O processo de criação do espetáculo teve como principal ferramenta a Action, método criado por Inês Aranha, atriz e diretora da Cia. Nua. O método consiste na construção de partituras físicas no espaço através de impulsos espontâneos. Isto possibilita o equilíbrio e a harmonia entre ator, espaço e tempo, sendo o ator, também, uma espacialidade. Na Action, a liberdade de criação do diretor só é possível através do ator criador. Direção e atores assumem a responsabilidade em conjunto. Através desta técnica, a direção propõe um espetáculo limpo, abrindo mão de recursos cenográficos e de trilha sonora (música) para valorizar a dramaturgia, a plasticidade do jogo cênico e a força das interpretações. No palco nu, delimitado apenas pela iluminação, as atrizes imbuídas do universo opressor e violento do texto caracterizam o ambiente do espetáculo. A encenação assume um viés simbólico, no qual o realismo transparece apenas nas falas das personagens. A situação de aprisionamento contextualizada em “A Mancha Roxa” levou o grupo a pesquisar movimentos, reações e posições características de animais. O resultado são partituras físicas extra-cotidianas que aproximam o ser humano de sua essência e tocam o primitivo de cada um. Nesta encenação, “A Mancha Roxa” é abordada sem pretensões políticas, mas com uma enorme vontade de tratar do instinto, do medo, da rebeldia, da comunhão e do amor… Ingredientes de um enredo universal retratado pelo olhar sensível e áspero da mulher.

Plínio Marcos (1935-1999) pode ser considerado o mais inquietante dramaturgo da história do teatro contemporâneo do país. Nascido em Santos, começou sua vida profissional como palhaço de circo, trabalhou também na televisão e várias rádios como comediante, até se engajar ativamente no núcleo santista de teatro amador. Teve ainda diversas poesias e artigos publicados em jornais locais e paulistanos. Iniciou sua vocação como autor de teatro por acaso, ao ouvir uma história verídica que o deixou intrigado, despejou-a no papel como forma de desabafo. Daí em diante não parou mais, obteve sucessos e fracassos, sem se deixar deslumbrar ou abater. Como todo grande artista, convicto de suas idéias e amante de seus pensamentos, retratava sem julgamento os universos crus dos excluídos pela sociedade e a indiferença transparente do poder com relação a este panorama. Entretanto, não se livrou da hipocrisia “terrorista” que permeou (e ainda permeia) os conceitos de livre nação, e foi proibido de exprimir-se diversas vezes pela censura militar, e por muitos anos teve suas obras engavetadas. Sua trajetória é marcada pela contundência de seus textos, que revelam sem pudores o cotidiano de personagens profundamente realistas e marginalizados em busca de sobrevivência. Como ele mesmo dizia: “… Eu apenas chateio quem acha que está tudo muito lindo…”. Saiba mais sobre Plínio Marcos no sítio oficial.

Sinopse: Em “A Mancha Roxa”, peça escrita por Plínio Marcos em 1988, seis mulheres presas numa cela especial descobrem ser portadoras do vírus HIV, cujo nome popular nos presídios nos anos 80 era “a mancha roxa”. Diante desta situação-limite, se configuram relações de opressão, violência, solidariedade, amor e rebeldia entre estas mulheres e a carcereira.

Ficha Técnica:
Texto: Plínio Marcos
Direção: Alexandra da Matta / Co-Direção: Igor Sane e Ubiratan Honoratto
Elenco: Adriana Guerra, Bibi Cavalcante, Debora Sperl, Lilia Nemes, Patrícia Castilho, Rose D’Agostino e Sintya Motta / Preparação Corporal: Ubiratan Honoratto / Figurinos: O Grupo Costureira: Benê Calistro / Iluminação: Igor Sane / Fotografia: João Valério / Design Gráfico: Sato / Produção: O Grupo / Assessoria de Imprensa: Luciana Albuquerque
TUSP – Teatro da USP – Rua Maria Antônia, 294 – Consolação – Tel. 3255 7182 R. 41 e 53
De 12 a 28 de setembro de 2008 / Sextas e Sábados às 19h, Domingos às 18h.
Ingressos: R$ 20,00 (inteira), R$ 10,00 (meia) / Classificação: 16 anos.
PROMOÇÃO para comemorar 1 ano da peça em cartaz: as sextas-feiras R$ 5,00 (Preço Único)
A bilheteria abre duas horas antes do espetáculo

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