Antropólogo Jack Goody conta como a Europa roubou o Oriente

O mundo não se resume à Europa e aos países de colonização européia. Óbvio? Talvez. Mas essa visão nunca foi contestada de forma tão embasada e contundente quanto em O roubo da História

A China precisou abrir-se economicamente, tornar-se um mercado consumidor cobiçado nos quatro cantos do planeta, além de um exportador das mais diversas mercadorias, para que o Ocidente voltasse seus olhos sobre o país novamente. Mas a visão eurocentrista não se limita aos pobres mortais. Os intelectuais mais cultuados também caíram nessa armadilha. É isso que afirma – e demonstra – o antropólogo inglês Jack Goody, um dos mais respeitados pensadores da atualidade.

Segundo Goody, temas tão diversos como amor, capitalismo, democracia e universidade são tratados como invenções ocidentais, quando, de fato, devem em muito ao Oriente. Daí o título do livro recentemente lançado pela Contexto, O roubo da História. O resultado desse minucioso trabalho está nas páginas desta obra, que detalha como os ocidentais se apoderaram de invenções e conceitos orientais.

Recentemente, na abertura dos jogos Olímpicos, os chineses deram um sutil recado ao estender aquele enorme pergaminho e, a partir dali, contar que são do Oriente importantes invenções como o papel, a prensa, a bússola e a pólvora, mostrada com muita pompa nos shows com fogos de artifícios. Após a demonstração de força e coletividade dada nas olimpíadas, esse gigante volta a ser uma grande dor de cabeça para os capitalistas. E, claro, objeto de estudo disputado. Ninguém mais ousa falar em comércio exterior sem antes analisar e entender a China e os “tigres asiáticos”.

Jack Goody já via essa importância do Oriente muito antes disso. Ele, por exemplo, retrata a Idade Média na Europa, como um período violento, repressivo e sem muita criatividade. Nesse mesmo momento, o Oriente, ao contrário, vivia um momento de progresso. Na época do Renascimento, os europeus beberam muito de fontes orientais para recuperar o tempo perdido na “idade das trevas”. No entanto, isso pouco aparece em autores que Goody critica, como Norbert Elias, Braudel e Perry Anderson. Outros intelectuais que têm suas idéias revistas são Marx, Weber e Finley.

O roubo da História é um livro cheio de temas delicados, relatado por esse antropólogo controverso, mas muito conceituado e respeitado. Goody, um senhor de quase 90 anos, colega de Eric Hobsbawm, impressiona por sua capacidade de questionar “unanimidades”. Livro imperdível.

Jack Goody é um dos maiores cientistas sociais do mundo. Ao longo dos últimos cinqüenta anos seus escritos pioneiros nas interseções da antropologia, história e estudos sociais e culturais têm feito dele um dos escritores atuantes mais lidos, citados e traduzidos de nossos dias. Professor emérito de Antropologia Social na Universidade de Cambridge. Tem feito pesquisas e proferido palestras por todo o mundo. É membro da Academia Britânica e em 1980 foi designado Membro Estrangeiro Honorário da Academia Americana de Artes e Ciências. Em 2004, foi eleito para a Academia Nacional de Ciências e em 2006 nomeado Commandeur des Arts et Lettres.

Serviço
Livro: O roubo da História
Autor: Jack Goody
368 páginas
Preço: R$ 49,90

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