Poemas Visionários – o Cinema de F. W. Murnau

Poemas Visionários – O Cinema de F.W. Murnau traz clássicos do diretor expressionista alemão como Nosferatu, Fausto, A Última Gargalhada e Aurora, ao lado de obras de rara exibição no país (Terra em chamas, Fantasma e As Finanças do Grão-Duque). A mostra comemora os 120 anos de nascimento de Murnau, que, com sua genialidade, abriu novos caminhos na cinematografia internacional, tornando-se um dos mais importantes diretores de cinema mudo e expressionista. Poemas Visionários estará em cartaz no CCBB de São Paulo entre 19 e 30 de novembro; em Brasília, de 4 a 16 de novembro; e no Rio de Janeiro, de 28 de outubro a 9 de novembro.

No período de pouco mais de uma década, Murnau realizou 21 filmes. Poemas Visionários apresenta os 12 disponíveis ainda hoje, da fase alemã até a fase americana. Onze estão em película – 35mm e 16mm – e um em DVD, todos com legenda em português.

Os movimentos rápidos, as luzes moduladas com sutileza e o espaço aberto fascinavam o cineasta. Murnau registrava com total habilidade e sensibilidade paisagens aparentemente intocadas, a imensidão dos mares, o bramir dos ventos, as forças indomáveis da natureza e, ao mesmo tempo, o espetáculo das cidades e sua arquitetura diversificada. Expoente do cinema expressionista alemão, cujo desenvolvimento após a Primeira Guerra exprimia uma realidade interior oprimida, de uma sociedade profundamente abatida, Murnau explorava os temas fantásticos, sombrios, os anseios e medos infantis (Nosferatu, Fausto, Tabu); sua empatia pertencia aos marginalizados, aos ingênuos, aos que a modernidade ameaçou e aos que sofrem com os conflitos contemporâneos do pós-guerra.

Em seus filmes apresenta-se o eterno conflito entre o mundo natural e a civilização moderna, entre a inocência e o artificialismo que condiciona as relações das pessoas em sociedade.

Os filmes
O Caminho da Noite (1921), sétimo filme de Murnau, é também seu mais antigo título preservado. Nele, revela-se uma das principais características de seu cinema: o olhar expressivo – o encontro e desencontro dos olhares, o olhar vazio, o olhar que revela a alma.

Em Aurora, primeiro longa em solo americano, premiado com três Oscar® na primeira cerimônia dos Academy Awards, em 1928 (incluindo melhor atriz para Janet Gaynor), a encenação do olhar permanece evidente. “O filme mais belo do mundo”, como diria Truffaut, mantém também o movimento da imagem inaugurado em A Última Gargalhada.

Com Emil Jannings no papel principal e roteiro de Carl Mayer (parceiros de muitos filmes), A Última Gargalhada inaugura a câmera em movimento, até então estática. Tudo está em movimento entusiasmado, não apenas a câmera, mas também o movimento diante dela – são os novos tempos, a vida moderna, os automóveis, a porta giratória, o parque de diversões, a agitação da cidade.

Outros clássicos são Nosferatu, baseado na novela de Bram Stocker, cujas bem-sucedidas caracterização do vampiro, por Max Schreck, e ambientação de horror são das mais célebres da história do cinema; Tartufo, adaptado na comédia de Molière, em que a crítica à hipocrisia é apresentada pelo filme dentro do filme; e o último título da fase alemã, Fausto, inspirado pela obra de Goethe, é o que mais representa em seu cinema o questionamento moral do homem.

Seu último filme, Tabu, rodado no Taiti, foi inicialmente realizado com o documentarista Robert J. Flaherty (de Nanook – o Esquimó, O Homem de Aran), que se desentendeu com Murnau por acreditar que o cineasta romantizava a vida dos ilhéus. E, mesmo assim, ao apresentar um lugar paradisíaco e abençoado, Murnau mostra a degeneração humana, o amor puro e inocente versus a lei divina utilizada como artifício pela comunidade para regular a si própria.

Com pleno domínio da linguagem cinematográfica, Murnau tornou-se um diretor cultuado por cinéfilos do mundo todo, motivo pelo qual os curadores Arndt Roskens e Cristiano Terto decidiram reunir todos os seus filmes disponíveis nesta mostra. “Os filmes dele são indispensáveis objetos de estudo para todos os amantes e estudiosos de cinema e arte”, afirma Roskens.

A mostra Poemas Visionários – O Cinema de F.W. Murnau, idealizada por Arndt Roskens e Cristiano Terto, é patrocinada pelo Banco do Brasil por meio da Lei Rouanet, realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil e tem apoio do Instituto Goethe.

Friedrich Wilhelm Murnau
Em 28 de dezembro de 1888, nascia em Bielefeld, na Alemanha, Friedrich Wilhelm Murnau. De olhar sensível, idealizou e criou, na Alemanha dos anos 20, importantes obras como Nosferatu, eine Symphonie des Grauens (Nosferatu), de 1922; Der letzte Mann (A Última Gargalhada), de 1924; e Faust (Fausto), de 1926. Ainda em 1926, Murnau emigrou para Hollywood, onde realizou quatro filmes. Os três primeiros pelos estúdios Fox: Sunrise (Aurora), de 1927; 4 Devils, em 1928, desaparecido; e City Girl, de 1929/30. Insatisfeito com as limitações dos grandes estúdios de Hollywood, Murnau realizou o seu último filme, Tabu, em 1931, de forma independente, em colaboração com Robert Flaherty. O gênio alemão morreu no mesmo ano em um acidente de carro, em março de 1931, pouco antes da estréia do filme em Los Angeles.

FILMOGRAFIA
(Filmes disponíveis ainda hoje)
Sinopses e fichas técnicas em anexo

Aurora (Sunrise), 110 min., EUA, 1927: cópia 35mm; legenda eletrônica
O Caminho na Noite (Der Gang in die Nacht), 83 min., Alemanha, 1921: cópia 35mm, legendada
Castelo Vogelöd (Schloss Vogelöd), 60 min., Alemanha, 1921: cópia 16mm, legenda eletrônica
City Girl (City Girl), 66 min., EUA, 1929/30: cópia 35mm, legenda eletrônica
Fantasma (Phantom), 119 min., Alemanha, 1922: DVD, legenda eletrônica
Fausto (Faust), 116 min., Alemanha, 1926: cópia 35mm, legenda eletrônica
As finanças do Grão-Duque (Die Finanzen des Grossherzogs), 64 min., Alemanha, 1924: cópia 35mm, legenda eletrônica
Nosferatu (Nosferatu, eine Symphonie des Grauens), 66 min., Alemanha, 1922: cópia 16mm, legenda eletrônica
Tabu (Tabu), 81 min., EUA, 1931: cópia 16mm, legenda eletrônica
Tartufo (Tartüff), 71 min., Alemanha, 1925: cópia 16mm, legenda eletrônica
Terra em chamas (Der brennende Acker), 110 min., Alemanha, 1921: cópia 35mm, legenda eletrônica
A Última Gargalhada (Der letzte Mann), 75 min., Alemanha, 1924: cópia 16mm, legenda eletrônica

Serviço
Centro Cultural Banco do Brasil
Rua Álvares Penteado, 112 – Centro – São Paulo
Informações: (11) 3113-3651 / 3113-3652
http://www.bb.com.br/cultura

Cinema (70 lugares): R$ 4,00 e R$ 2,00 (meia-entrada)
Sessões em DVD: entrada franca – mediante retirada de senha na bilheteria, a partir das 10h, no dia da sessão.
Sujeito à lotação da sala.
Aceita cartões de crédito Visa ou Mastercard, cheque ou dinheiro
Acesso e facilidades para pessoas com deficiência física
Ar-condicionado
Opções de estacionamento na Rua Libero Badaró, próximas à Praça do Patriarca

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