Dez! Nota Dez! – Eu sou Carlos Imperial

A história do grande incendiário da cultura brasileira

Ele foi ator, cineasta, apresentador de TV, colunista de jornais e revistas, compositor, produtor musical e até vereador e candidato a prefeito pelo Rio de Janeiro. Em geral é lembrado como um sujeito inconseqüente, encrenqueiro e mulherengo.

Direta ou indiretamente fez e ajudou a fazer o sucesso dos maiores nomes do nosso show bizz, de Roberto Carlos a Tim Maia, de Clara Nunes a Elis Regina. Dez! Nota dez! Eu sou Carlos Imperial, (Matrix Editora, 400 páginas), escrito pelo pesquisador Denilson Monteiro, é um mergulho na agitada vida e obra do autor de sucessos como Vem quente que estou fervendo, Nem vem que não tem, A praça, O bom  e Mamãe Passou Açúcar em Mim.

O título é uma referência à maneira como Imperial anunciava as notas das escolas de samba do Rio de Janeiro. Na década de 1980, Carlos, na época vereador pelo PDT de Leonel Brizola,  se notabilizou por divulgá-las exclamando a frase “Dez! nota dez!”. O bordão caiu no gosto popular e se transformou em sua marca registrada.

Orgulhoso por ser  chamado de “o rei da pilantragem” e de “grande vilão da TV”, mais do que tudo, Carlos Imperial gostava de causar polêmica e inventar situações que seriam destaque na mídia.

Em 1981, por exemplo, pouco antes da estréia de seu filme As Delícias do Sexo,  teve a idéia de criar a Liga da Moral e da Decência. Mandou alugar duas Kombis, nas quais colocou vinte senhoras, que foram para a porta do cine Vitória, no Rio de Janeiro, protestar com cartazes contra a estréia daquele filme repleto de imoralidades. Além disso, arranjou um jovem negro anatomicamente privilegiado, para correr nu no meio da primeira exibição e causar alvoroço na platéia.

Na mesma hora, o rebuliço foi noticiado nas rádios. As pessoas ouviam e iam ao cinema para conferir o tal filme mais ousado que “O Império dos Sentidos”. O resultado foi um grande sucesso de bilheteria.

Foi graças a Imperial que Roberto Carlos – assim como ele,  também capixaba de Cachoeiro de Itapemirim –,  gravou seu primeiro disco. Na época, o apresentador Chacrinha conseguiu contato com uma gravadora, propondo o nome de Roberto. Mas o atual “rei” foi recusado. Quem conseguiu a chance para o jovem cantor  na Polydor foi o irmão mais velho de Imperial, Francisco, locutor da Rádio Continental. O rapaz comprometeu-se em tocar músicas da gravadora se o divulgador que visitava a emissora em que ele trabalhava conseguisse uma chance para  Roberto.

Também foi Imperial  quem convenceu Paulo Silvino a ser humorista, já que naquela época o astro do programa Zorra Total queria ser cantor de rock and roll. Sem deixar de mencionar  que tanto Wilson Simonal quanto Erasmo Carlos, tiveram suas primeiras oportunidades na vida artística participando do  “Clube do Rock”, um embrião da Jovem Guarda, também invenção de Carlos. Em 1966, com Simonal,  o compositor Nonato Buzar e o pianista César Camargo Mariano,  o “Gordo”, como era chamado pelos amigos,  criou uma nova e deliciosa onda musical, a “pilantragem”. 

Imperial foi o responsável pela única ocasião em que o Ibope admitiu ter sido vítima de fraude. Em 1979, com o auxílio de  dez pesquisadores do instituto, Carlos pôs em prática um esquema que colocou seu programa de auditório, então na TVS de Sílvio Santos, em primeiro lugar na audiência.

O Gordo ainda enfrentou com irreverência o regime militar. Um cartão de Natal que trazia sua foto, sentado no vaso sanitário, com a frase: “Espero que papai Noel não faça no seu sapato o que eu estou fazendo neste cartão”, foi enviado a algumas personalidades em pleno AI-5 e acabou lhe rendendo uma temporada no presídio da Ilha Grande. 

Sobre o autor

Responsável pela pesquisa de texto e imagem de Vale Tudo – O som e a fúria de Tim Maia, best-seller do jornalista Nelson Motta, e colaborador em Clara Nunes, Guerreira da Utopia, de Vagner Fernandes, o pesquisador Denilson Monteiro dedicou seis anos à realização de Dez! Nota dez! Eu sou Carlos Imperial. Fez centenas de entrevistas com artistas, familiares, amigos de infância e até desafetos do “homem vaia”, além de uma busca minuciosa em diversas instituições de pesquisa e acervos particulares, a fim de obter toda e qualquer informação sobre sua vida. Aluno do escritor José Louzeiro, o roteirista de O homem da capa preta, atualmente Denilson dedica-se a um roteiro para cinema em parceria com Clarice Messer.

Dez! Nota Dez! – Eu sou Carlos Imperial.
Autor: Denilson Monteiro
Lançamento: Matrix Editora
Preço: R$ 39, 90

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