Agenda poética Tempo Passageiro é lançada por um grupo de 12 poetas na Casa das Rosas

No próximo dia 03 de dezembro, quarta-feira, às 19h00, na Casa das Rosas, a Editora Klepsydra lança Tempo Passageiro. Agenda poética elaborada por um grupo de 12 poetas (Beatriz Luz, Hamilton Faria, João Carlos Padua, Jussara Salazar, Ledusha, Luis Olavo Fontes, Masé Lemos, Pedro Garcia, Reinoldo Atem, Ricardo Kubrusly, Rodrigo de Haro e Ulisses Tavares), impressa em tom de letra intencionalmente pálida, e que permite ao leitor anotar seus compromissos sobre os poemas. No lançamento haverá um recital de poesia e os poetas irão autografar as agendas. A Casa das Rosas fica na Av. Paulista, 37, em São Paulo (SP), telefone (11) 3285-6986.
Palimpsesto poderia ser o nome desta agenda poética. O palimpsesto, segundo o Houaiss, é um “pergaminho cujo texto foi escrito em cima de outro que foi raspado”. A idéia é esta. O texto, o poema, está aí para o que o leitor quiser fazer. Raspar (que é difícil), escrever por cima (o tom da letra é intencionalmente pálido para este fim) ou, sabe-se lá porque, preservar limpo o poema e abdicar da finalidade de uma agenda (anotar compromissos, etc.). Como palimpsesto é uma palavra que poucos conhecem, o grupo achou por bem batizar essa agenda com o nome de Tempo passageiro. Seguem abaixo breves apresentaçoes dos poetas.

Beatriz Luz caminha entre a poesia e as “artes plásticas”. Sabendo que o território é o mesmo – o da poética – diz:

Não sou poeta

sou

um ser que transita

dentro e fora de tudo

sina densa

e me estranho

qual muitos me estranham

no assim sendo

construindo.

Publicou: Carmel – 1963; Medersa – 1998 e 2000; Nepentes – 2002. Colabora em publicações de arte e literatura. Pensa igual ao poeta Murilo Mendes “Viver a poesia é muito mais importante do que escrevê-la”.
Hamilton Faria escreveu seis livros de poesia, participou de 12 antologias no Brasil, e publicou poemas em outros países e em alguns dos principais jornais e revistas do país. Participa de leituras poéticas em universidades, centros de cultura, teatros, feiras de livro, escolas, bibliotecas, meios de comunicação, praças etc. e acredita que a poesia deve sair do seu estado de livro para revelar e criar mundos poeticamente habitáveis, com vidas significativas e re-encantadas.  Recebeu prêmios literários e teve o trabalho poético estudado no meio acadêmico. Afirma: “poeta estou em contato com a bem-aventurança. E posso dizer que tive algumas dádivas na vida: a de ter nascido são, amar meus pais e ter sido abençoado com a poesia. A poesia me salva sempre, porque faço a mutação do bruto dia em poesia. Escrevo todos os dias, às vezes muito, porque não tenho tempo de escrever pouco.  Não sou um poeta maldito, sou um poeta bendito.”

João Carlos Padua é carioca, cursou Língua Portuguesa e Literatura Brasileira na PUC/RJ nos anos setenta, quando participou da geração marginal, com publicações no Almanaque Vitalidade, sendo um dos 26 poetas do livro de Heloisa Buarque de Holanda, com trabalhos como letrista da MPB, em parceria com Danilo Caymmi, João Donato e Egberto Gismonti entre várias outras e, malgrado convicto de que nada vai dar certo, persevera em manter esperança no porvir.

Jussara Salazar – Poeta, artista plástica e designer nasceu em Pernambuco. Publicou os livros: “Inscritos da casa de Alice”(1999), “Baobá”, poemas de “Leticia Volpi”, (2002), “Natália” (2004) e Coloraurisonoros (Buenos Aires, 2008). Publicou em várias revistas: Tsé-Tsé (Argentina), Chain (EUA), Rattapallax (EUA), Suplemento literário de Minas (Brasil), Galerna (EUA/Espanha), Mandorla (México) Caderno Mais! (Folha de São Paulo), Mar com Soroche (Chile), entre outros. Faz parte das antologias “Na virada do século” (2002) “Passagens”, Poesia Contemporânea no Paraná, (2002) Invenção Recife, (2004) Poetry Wales, (País de Gales, 2004), Relicário Latino, Antologia de poesia latina, (2004), Literatura Brasileira Hoje, (2004). Integra a Antologia Comentada da poesia brasileira do século XXI, (2006) e Geometry of Hope (New York University, 2008). Atualmente edita a revista eletrônica de arte e literatura Lagioconda7 (http://www.lagioconda.art.br)

Ledusha – Nasceu e  vive em São Paulo com sua filha Nina, e seus cachorros: Pingo e Brigitte. É defensora da causa animal, tradutora de espanhol, letrista de música e jornalista, mas não raro diz que também tem que fazer mágica. Ama Tom Jobim. Publicou 4 livros de poemas: Risco no Disco – 1980 – Edição independente, RJ, Finesse & Fissura – 1984 – Editora Brasiliense, SP; 40 graus – 1990 – Francisco Alves Editora, RJ; Exercícios de Levitação – 2002 – Editora 7 Letras, RJ. Visitem o Pseudopopblog:
http://ledusha.blig.ig.com.br/

Luis Olavo Fontes foi poeta marginal nos anos 1970 e esse foi o seu fim.  Marginalizado de antologias literárias e currículos escolares – marginal não vai à escola – só lhe restou a  penosa solução do exílio. Cada vez mais ausente do cenário poético do país, foi esquecido nas últimas eleições da ABL – marginal não freqüenta a Academia.  Nunca ganhou um prêmio literário – marginal não ganha prêmios, apenas penas.  Geralmente, de reclusão.  Naturalmente, de exclusão.  Marginal não merece ter biografia.

Masé Lemos nasceu em Belo Horizonte e foi morar com 7 anos no Rio. Aos 13 anos escreveu o “Drama do meu conto” que foi logo em seguida, dramaticamente, destruído. Com 17 anos quis fazer Jornalismo, mas acabou fazendo Direito na UERJ.  Formou-se, advogou, fez mestrado em direito, depois mudou de profissão e trabalhou como designer gráfica. Neste ínterim casou e teve um filho, o Manoel, a maior riqueza de sua vida. Talvez, levada por esta experiência quase mística, quis mais uma vez mudar de profissão. Fez, então, mestrado e doutorado em literatura brasileira em Paris: depois disto nada mais seria dramático em sua vida. Agora está de volta à UERJ como professora de Teoria da Literatura. Em 2007 publicou “Redor” pela 7letras, seu primeiro livro de poesia.

Pedro Garcia publicou treze livros de poesia: Viagem Norte, 1959; Ilha submersa, 1973; Paisagem Móvel, 1973 (Prêmio Poesia UFSC); Trapézio & Trapezista, 1977; Frutos do mar, 1985; Sobre a carne do poema, 1986; Índice de percurso, 1986 (Prêmio Luís Delfino); A invenção do tempo, 1993; Escadas improváveis, 1993; Flechas & Flechas,1996; 34 poemas dois pedros, 1996; 360º (poesia reunida), México, 1997; Sobre nomes, 1998; 360º  (poesia reunida), 2ª  edição, 2005. Em 2000 teve reeditado, em edição limitada, de 111 exemplares, com serigrafia de Rodrigo de Haro, seu primeiro livro: Viagem Norte.

Reinoldo Atem é nordestino de nascimento, mas radicou-se no Paraná aos quatro anos de idade, já tendo virado curitibano. Começou a interessar-se por literatura bem cedo, antes dos quinze anos de idade, lendo e escrevendo, principalmente poesia. Aos vinte e cinco anos de idade começou a publicar, por conta própria, poesias e contos. Tem um livro de contos intitulado Eterna Primavera e vários de poesia: “Urbe urge”, “O sopro de tudo”, “O aprendizado da vida” e “Sob o céu do país”.

Ricardo Kubrusly, poeta e matemático, escapa dos números pelo poema. Livros e equações dispersas, teoremas em versos transformados. Títulos, títulos dobrados num tempo sem memória, texto sem texto escreve um real entre vazios. Professor de alunos esquecidos entre a matéria e o grito, grita. Versos de números somente sem medo ou filosofia, cujo destino é a imprudência de uma lógica desgovernada. Filósofo das madrugadas entre versos tortos, filho da morte e irmão dos pensamentos. Homem na sorte e mulher nas aventuras, ama o amor na distância de seus números discretos e nas rugas que lhe trouxe o tempo. Louco pela fama, transforma destinos em destinos números em números e versos em transparências onde a vida enumera seus poemas.

Rodrigo de Haro – Desterro, Rio de Janeiro, São Paulo, Desterro. Morro do Assopro na Lagoa da Conceição (Florianópolis.) onde elabora, cheio de susto, uma obra que foge sempre do seu comando, onde “a disciplina se liga ao anjo da extravagância”. O poeta, também pintor, entende que ambas as disciplinas perseguem as mesmas visões recorrentes. Nostalgia, o Eros em diagonal, a infância perdida e inquietudes presentes são os elementos constantes de sua inspiração. As ilhas, lugares malditos, abrigam caprichosamente seus poetas. Livros: “Trinta Poemas”; “Taça Estendida”; “Amigo da Labareda”; “Caliban”; “Livro dos Naufrágios”; “Porta”; “Mistério de Santa Catarina”; “Livro da Borboleta Verde”; “Andanças de Antonio”.  Seus trabalhos estão publicados no Brasil e no exterior. Tem 6 livros inéditos.

Ulisses Tavares tem 118 livros publicados em todos os gêneros e assuntos. Com mais de 22 milhões de exemplares vendidos, 8 milhões apenas em poesia. Há 3 anos vive (mal, mas com tesão) literalmente de literatura. Tem um brilhante currículo de publicitário, jornalista, dramaturgo, roteirista de televisão, marketeiro político e professor de pós-graduação. Mas prefere ser o que é: um moleque cinqüentão, budista e anarquista. http://www.ulissestavares.com.br
Tempo Passageiro
Vários autores
390 p. / R$ 30,00

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