Tomie Ohtake na Nara Roesler

Mesmo na extensa trajetória de uma artista que já participou de 20 Bienais Internacionais (seis de São Paulo), contabiliza em seu currículo mais de 200 exposições entre o Brasil e o exterior, esta individual na Galeria Nara Roesler revela-se rara, por reunir ao mesmo tempo pinturas e esculturas, duas expressões do vocabulário de Tomie Ohtake até então exibidas separadamente.

“A opção por apresentar ao lado de pinturas um pequeno, mas significativo número de esculturas lineares realizadas em tubos metálicos pintados de branco, termina por evidenciar a agilidade do raciocínio da artista, a maneira desenvolta com que ela lida com a linha, uma das protagonistas recorrentes de sua obra, fazendo-a transitar do espaço plano da tela para o espaço do ambiente, saltando de um para o outro, conquistando seu lugar no mundo”, explica Agnaldo Farias.

Com uma agenda lotada neste ano em função do Centenário da Imigração Japonesa, quando foi convidada a desenvolver seis obras públicas (entre as quais, Aeroporto de Cumbica, Santos, Guarulhos, Guairá) e a desenhar condecorações para o Itamaraty, além dos freqüentes projetos, como a marca e o troféu da Mostra Internacional de Cinema, Tomie manteve-se silenciosamente ativa em seu ateliê, produzindo e, como sempre, inovando em pinturas, esculturas e gravuras. O resultado disso está nesta exposição com 14 telas e 6 esculturas (2008) selecionadas por Agnaldo Farias, a ser inaugurada no mês seguinte ao 95º aniversário da artista.

Segundo o crítico, esta mostra tem a força de um balanço “como se a artista resolvesse repassar alguns dos caminhos percorridos nas últimas duas décadas, avaliando os resultados obtidos em cada um dos meios – pintura e escultura – as aberturas e os intercâmbios que eles propiciaram e que terminaram por resultar nos extensos limites de sua obra”. Farias ressalta que a linha feita pelo lápis ou pelo pincel na bidimensionalidade do plano é convocada para uma outra família de gestos, a manipulação de arames ou chapas finas de metal com os quais a artista constrói as maquetes, a base de suas esculturas.

Nesta série de pinturas, com seu virtuosismo inconfundível na fatura das formas e das cores que entre a opacidade e a transparência constroem campos magnéticos para o olhar, surge a linha – um gesto que, sem fazer esforço, consegue amarrar o todo só pela presença, dando movimento à forma criada pela cor.

Costumava-se observar que as linhas da pintura de Tomie num determinado momento, principalmente a partir de sua sala especial na Bienal Internacional de São Paulo, em 1996, foram para o espaço alcançar a linguagem escultórica. Nestas novas pinturas, a linha parece retornar calma à tela, porém, como elemento estruturante, ao mesmo tempo em que continua a habitar as novas esculturas, que podem brotar das paredes e do teto, ou permanecerem apoiadas no chão. Agnaldo Farias assinala que a poética de Tomie está no modo como ela opera a relação entre cor, plano e linha, engendrando situações tão diversas quanto surpreendentes.

“De um lado a linha descrita na superficie de um tecido, um plano bidimensional retesado num chassis de madeira, definindo formas fechadas, sugestões de sementes, corpos e vórtices de energia, ou abertas como as bordas cambiantes de um território continuamente alagado; linhas que, em todos os casos, poderão flutuar, dividir ou submergir nos planos coloridos confeccionados em soluções distintas, da fatura homogênea e inconsútil à textura vaporosa, manchada e atmosférica.  De outro lado os gestos miúdos e destros frutos da conversa das mãos com os materiais; um exercício executado na escala de objetos dos quais resultam essas esculturas com pouca massa, quase que só profundidade; que abraçam o ar através de torções, envergamentos e estiramentos sutis, dir-se-ia que inconclusos. Explorando a potencialidade do material através de formas claras e concisas, limpas ou beirando o emaranhamento, demonstrando a persistente plasticidade do espaço, sua infinita maleabilidade, a artista lança mão de matéria pouca, rondando o capilar, como maneira de sugerir que elas prosseguem pelo invisível”, escreve Farias.

Exposição: Tomie Ohtake
Abertura: 8 de dezembro de 2009, às 20h (convidados)
Até 31 de janeiro de 2009
Galeria Nara Roesler | galeria térreo
Av. Europa, 655 – São Paulo. Tel: 11.3063-2344 Fax: 11.3088-0593
Site:
www.nararoesler.com.br / E-mail: galeria@nararoesler.com.br

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