Archive for the ‘Fotografia’ Category

Vazio Off Bienal

Em menos de um mês, exposição sem espaço físico reúne 140 obras de 70 artistas

Artistas de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Ribeirão Preto, Piracicaba, Joinville, Ilhéus, Salvador, Belo Horizonte, Antonina, Juiz de Fora, Natal, Tiradentes, Petrópolis, Florianópolis, Brasília, Porto Alegre, Campinas, Macaé, Santa Maria, Goiânia e da cidade norte-americana Arlington estão reunidos em torno da VAZIO Off Bienal, que tem como proposta refletir visualmente sobre o VAZIO exposto na Bienal de São Paulo.

Com a proposta de “construir seu próprio vazio” (ou baixar pela internet um “modelo de vazio” sugerido para a exposição), tirar uma foto com este vazio e enviar esta imagem para publicação em um site”, a VAZIO Off Bienal, ação independente criada pelo artista visual Tom Lisboa, atinge, em quatro semanas, a marca de 140 obras que foram enviadas por 70 artistas, provenientes de vários estados brasileiros.

Diferente das ações que buscam preencher com grafites e stickers o que foi “esvaziado” pela curadoria da Bienal, a VAZIO Off Bienal propõe a multiplicação de “espaços vazios” e, ao mesmo tempo, intensificar e problematizar a discussão sobre visibilidade. “O que importa é que o espaço não-expositivo da Bienal deixou aberta uma lacuna para o público, a crítica e os artistas projetarem seus conceitos sobre aquilo que era não-visto.”, afirma Lisboa.

A participação na VAZIO Off Bienal é livre, gratuita e os trabalhos fotográficos podem ser enviados, por email, até o dia 5 de dezembro. E como o objetivo é expandir o conceito do vazio, as fotos não precisam estar tematicamente relacionadas à Bienal de São Paulo. Afinal de contas, com diz o Lisboa: “O vazio é um tema pessoal e que desconhece fronteiras geográficas”.
VAZIO OFF BIENAL
Lançamento: 28 de outubro de 2008
Envio das fotos até 5 de dezembro (as fotos devem ter no máximo 15x21cm, em 72dpi e serem encaminhadas para o e-mail tomlisboa@terra.com.br)
Fotos e regulamento para participação no site: www.sinTOMnizado.com.br/vazio

Anúncios

Os retratos falante de Paulo Fridman

Livro do fotógrafo, editado pela DBA, com apresentação de Arnaldo Antunes, é lançado na Galeria Vermelho

Munido de uma câmera e folhas de papel em branco, o fotógrafo Paulo Fridman – exímio retratista prestigiado nacional e internacionalmente –, partiu para um de seus trabalhos autorais. Com uma espécie de estúdio ambulante, começou a fotografar pessoas nas ruas, pedindo que elas respondessem, nas folhas em branco, a três perguntas: Quem é você? O que você pensa do futuro do Brasil? Qual é o seu sonho?

No primeiro dia desta experiência, que começou em 1999, na Vila Madalena e no Largo da Batata, em São Paulo, uma velhinha que catava latas na rua topou fazer parte do trabalho. Surpreendentemente respondeu às três questões em um bom português e identificou-se: Maria…, ex-professora e advogada. Neste momento Fridman percebeu que tinha começado um projeto de vida.

Retratos Falantes, obra em aberto que o fotógrafo realiza há nove anos, ganha agora  versão em livro editado pela DBA, com texto de Arnaldo Antunes e projeto gráfico do artista Artur Lescher. A publicação reúne cerca de 70 dos 300 personagens colecionados pelo fotógrafo, de 1999 a 2008. Composições de retratos e textos ou desenhos, contendo as respostas das três questões colocadas, transformam fisionomias anônimas e registros de seus respectivos desejos em poemas visuais.

Como indaga Antunes: se uma imagem vale mil palavras, o que vale a palavra quando também se torna uma imagem? “A manuscrita presentifica as palavras em realidades icônicas que, dispostas sobre os rostos, acentua o desvelamento de cada uma dessas pessoas”, afirma o músico e poeta. Em seu texto ele chama atenção para a inocência com que as pessoas se entregam às lentes de Fridman, ressaltando a beleza como elemento da verdade.

“No começo eu criava as composições no laboratório, artesanalmente, uma experiência que foi importante para trilhar uma concepção plástica, ao lado do caráter social que eu queria alcançar com este projeto”, explica Fridman. O fotógrafo, que continua a trabalhar em diferentes regiões de São Paulo e também em outras cidades, reuniu muito de suas “imagens depoimentos” em épocas de eleições. “Estas perguntas costumam ficar candentes nas cabeças das pessoas nestas épocas férteis para questionamentos”, afirma.

Esta série, que já nasceu premiada no concurso Brasil na Virada do Século, em 2000, foi finalista do Adobe Digital Context e faz parte dos acervos da Library of Congress em Washington, e do MAM-SP, foi também exibida na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em recorte com curadoria de Diógenes Moura, em 2004.

Retratos Falantes
Paulo Fridman
Editora: DBA
Preço:  R$ 52,00 
Formato:18 x 23cm, 132 páginas, português/inglês, capa dura
Patrocínio: Tetra Pak via Lei Rouanet
Lançamento: 7 de outubro, às 19h30
Local: Galeria Vermelho
Rua Minas Gerais , 350  SP – Fone: 11. 3257 2033

Bienal Argentina de Fotografia Documental Recebe 2 Brasileiros

Os fotógrafos Milla Jung e Guy Veloso serão os representantes do Brasil na 3ª Bienal Argentina de Fotografia Documental, na cidade de São Miguel de Tucumán, de 8 de outubro a 9 de novembro de 2008.

A curitibana Milla Jung levará a exposição individual “Espaço de Afetos” para a  Fundação Vicente Lucci, além de apresentar a conferência “A Fotografia Latino-americana”. Já o paraense Guy Veloso exibirá o projeto “Entre a Fé e a Febre: Retratos” na galeria da Plaza de Almas.

Na série Espaço de afetos Milla Jung busca apreender o gesto essencial de afeto em estado selvagem, como instantâneos de imagens que constituem os homens desde a infância e podem ser reconhecido diante de estímulos exteriores. Subvertendo o uso da fotografia como efeito de real, Milla força a apreensão de sua perspectiva ficcional como linguagem. A questão é compreender de que modo a fotografia, aparato constituído no mito da objetividade, pode dar conta do que está para alem do tangível.

Guy Veloso investiga manifestações religiosas ímpares no interior profundo do Brasil em fotografias em preto e branco tomadas em 8 estados. Descobrimos práticas que remontam à Idade Média, como as confrarias de penitentes que desfilam encapuzados noite à dentro, como o catolicismo laico da população rural em suas peregrinações. A mostra “Entre a Fé e a Febre” já foi exibida no Teatro Nacional de Brasília, passou pelo Museu de Arte Contemporânea de Santiago-Chile, pela fábrica das câmeras Leica em Solms-Alemanha e segue itinerando por diversos países.

Em sua terceira edição, a Bienal concentra a mais de 25 dos mais importantes fotógrafos e editores de seis países sul-americanos engajados no desenvolvimento de una fotografia comprometida com sua realidade e seu tempo. Estão programadas exposições, conferências, projeções, revisões de portfolios e diversos eventos paralelos. A direção é de Julio Pantoja e a produção de Karina Azaretzky e Ariel Bellos.

A Bienal Argentina de Fotografia Documental vai se firmando como um dos maiores festivais no gênero em todo o mundo.

Para saber mais:

www.fotobienal.com.ar

Milla Jung: http://www.nucleofotografia.com.br e www.escapatórias.com.br

Guy Veloso: www.fotografiadocumental.com.br

Documentário sobre Luiz Braga no MAM

No dia 17 de setembro (quarta-feira), às 19h30, o Auditório Lina Bo Bardi, do Museu de Arte Moderna de São Paulo, abriga o lançamento em São Paulo do documentário “Lugares do afeto”, que retrata o processo de criação do fotógrafo Luiz Braga. A entrada é franca.

Paraense, Luiz Braga retrata aspectos da cultura e da vida amazônica com o olhar de quem nasceu na região, e essa sensibilidade que imprime em seus trabalhos foi o que a diretora Jorane Castro buscou captar. Ela mesma é uma conterrânea de Braga que em suas produções retrata aspectos inusuais da região sem cair no folclore e em estereótipos difundidos no Brasil e no mundo.

Além de acompanhar Luiz Braga em diversos momentos de seu trabalho, o vídeo traz depoimentos de Rosely Nakagawa, Tadeu Chiarelli, Paulo Herkenhoff, João de Jesus Paes Loureiro, Cássio Vasconcellos, Osmar Pinheiro e Rubens Fernandes Junior.

Ficha técnica :

Lugares do afeto – documentario / 70 minutos / dvcam

Roteiro e Direção                                            Jorane Castro

Imagem                                                           Jacob Serruya

Montagem                                                       Atini Pinheiro / Jorane Castro

Música                                                            Pio Lobato / Vinicius Cohen

Produção Executiva                                         Danielle Santos

Produção                                                        Cabocla Produções / TV Cultura do Pará

Sinopse:

A fotografia de Luiz Braga constituiu-se pela busca incessante de uma linguagem que traduza o imaginário profundo da vida amazônica. Ele captura a cultura de sua região, com um olhar de conhecedor, não de um visitante. Ele registra a realidade contemporânea, não o exótico, retratando a sutil sensualidade do amazônida. Lugares de Afeto acompanha o seu processo criativo, desvenda a construção de seu olhar, encontra seus personagens, em seus lugares, no mesmo horário crepuscular de sua predileção, no seu universo e com a sua luz.

Festivais recentes:

§                                          III Mostra Curta Pará Cine Brasil, Belém, Outubro 2006.

§                                          III Festival de Belém do Cinema Brasileiro, Belém, Janeiro 2007

§                                          IX Festival Brasileiro de Paris,  França, Maio 2007.

§                                          12ª Mostra Internacional do Filme Etnográfico, Rio de Janeiro, Novembro 2007.

Luiz Braga, 1956, Belém, PA

Fotógrafo, vive e trabalha em Belém. Graduou-se pela Escola de Arquitetura de Belém, em 1983. Realizou mais de 120 participações em exposições individuais e coletivas no Brasil e exterior. Em 2005, publicou o livro “Retratos amazônicos”, que motivou em 2007 a exposição homônima em homenagem aos 30 anos de carreira. Integra, entre outros acervos, as coleções do Museu de Arte Moderna de São Paulo, Centro Português de Fotografia, Musée Quai de Branly (França), e Centre Culturel Lês Chiroux (Bélgica). Conquistou os prêmios The Leopold Godowsky Jr Color Photography Awards, Boston University, Boston, EUA, Marc Ferrez, Instituto Nacional de Fotografia do Rio de Janeiro, Porto Seguro Brasil 2003 e Bolsa Vitae de Artes. É um dos artistas integrantes do Clube de Colecionadores de Fotografia do MAM-SP de 2008.

Jorane Castro

É formada em Comunicação Social  (Jornalismo) pela  Universidade Federal do Pará (1990) e em Estudos Cinematográficos pela Universidade de Paris 8, França (1993), além de ter mestrado em em Ethnometodologia pela Universidade de Paris 7, França (1995) e cursos diversos, entre eles fotografia de cinema com José Medeiros e Walter Carvalho e de direção de documentários na Escola Prática de Altos Estudos, França, 1997/1998. Foi uma das selecionadas do programa Rumos Audiovisual, do Itaú Cultural, em 2004.

SERVIÇO:

Lançamento do documentário “Lugares do afeto”, sobre Luiz Braga

Data: 17 de setembro de 2008 (quarta-feira), às 19h30

Local: MAM – Auditório Lina Bo Bardi

Endereço: av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 3

tel (11) 5085-1300

Grátis

Site: http://www.mam.org.br

Estacionamento no local (Zona Azul: R$ 1,80 por 2h)

Descondicionamento do Olhar em SP

A facilidade de se entender o aspecto objetivo, estudá-lo e comunicá-lo se contrapõe à subjetividade angustiante decorrente da dificuldade de expressão de uma visão de mundo através das técnicas artísticas. Saber o que se quer, olhar sem a contaminação dos modelos existentes, buscar dentro d’alma um olhar mais significativo e tocante, são questões essenciais do Descondicionamento do Olhar.

Idealização e realização devem estar em sincronia, possibilitando, assim, uma produtividade criativa e transformadora.

O objetivo maior desse trabalho é proporcionar ao indivíduo o delicado e rico encontro com a sua própria pessoa e suas possibilidades de experimentar a sensação de regozijo ao se perceber um ser crítico e transformador em seu universo pessoal e social.

Programa:
Através de exercícios, dinâmicas e vivências (como jogos, rodas, role playings, trocas, dramatizações e técnicas de sensibilização), a oficina procura resgatar o contato direto com as sensações e emoções, recuperando nossos sentimentos suprimidos e reavendo a nossa humanidade perdida.

O trabalho está voltado para a recuperação do ser consciente e a revisão dos valores internalizados e significativos que vão estreitar a relação intelecto/emoção, restituindo aos participantes um instrumento de reflexão sobre a sua vocação. Os exercícios trabalharão, como estrutura básica do workshop, os seguintes itens: os canais de percepção, a transformação da expressão nas diferentes linguagens, a formação de conceitos, o pré-conceito e a intuição, a conceituação e a percepção, os estados emocionais e as distâncias, a leitura de símbolos e signos, a leitura não verbal, o ritmo e o tempo psicológico, a síntese, a ocupação do espaço, a composição e o equilíbrio etc.

Data: dias 27 e 28, sábado e domingo                          
Horário: das 9h às 17h no sábado e das 10h as 18h no domingo
Preço: R$360,00 em 3 vezes. Consulte desconto a vista e a promoção Amigo de Amigo, Amigo é.
Local: Rua Michel Kalinini, 64 Jardim da Previdência – São Paulo SP
Informações: adriana.ribas@olhar.com.br
Inscrições:  adriana.ribas@olhar.com.br   11-8667-4710  das 10h as 17h
http://www.olhar.com.br

Descondicionamento do olhar em Curitiba

Ministrado por Cláudio Feijó, pedagogo, psicólogo e fotógrafo, esse workshop foi desenvolvido a partir de experiências com o ensino de fotografia na Escola Imagem-Ação, em São Paulo, ao longo de anos. Saber o que se quer, olhar sem a contaminação dos modelos existentes, buscar dentro d’alma um olhar mais significativo e tocante, são questões essenciais do Descondicionamento do Olhar.

Público alvo:
Estudantes ou profissionais das áreas de fotografia, cinema, artes plásticas, arquitetura, design, publicidade e todas as pessoas que utilizam o Olhar como ferramenta de trabalho.

Objetivo:
Proporcionar o encontro com a sua própria pessoa e suas possibilidades de experimentar a sensação de alegria/prazer ao se perceber um ser crítico e transformador em seu universo pessoal e social.

Programa:
Exercícios, dinâmicas e vivências (como jogos, rodas, role playings, trocas, dramatizações e técnicas de sensibilização), para resgatar o contato direto com as sensações e emoções, recuperando nossos sentimentos suprimidos e reavendo a nossa humanidade perdida.

Os exercícios trabalharão, como estrutura básica do workshop, os seguintes itens:
Os canais de percepção, a transformação da expressão nas diferentes linguagens, a formação de conceitos, o pré-conceito e a intuição, a conceituação e a percepção, os estados emocionais e as distâncias, a leitura de símbolos e signos, a leitura não verbal, o ritmo e o tempo psicológico, a síntese, a ocupação do espaço, a composição e o equilíbrio etc.

Data: dias 15 e 16 de agosto
Horário: sexta das 19h às 22:30 e sábado das 9h às 18h
Investimento: R$ 300,00
Forma de pagamento: 50% na inscrição e 50% no dia do curso
Local: Estúdio Fotográfico Rodolpho Pajuaba
Rua Maestro Herrmann, 355 – Pilarzinho
Curitiba – Paraná
Fone (41) 3338 5968

Instituto Tomie Ohtake traz trinca individuais

Repassar a importante obra da mestre gravadora Anna Letycia, apresentar um raro panorama da obra do influente fotógrafo Cristiano Mascaro e reunir a mais recente produção da inconfundível pintura de Dudi Maia Rosa são os objetivos destas amplas individuais, que ocupam todas as salas do Instituto Tomie Ohtake, com inauguração simultânea no dia 28 de fevereiro.

A mostra de Anna Letycia integra também o projeto Ateliê de Gravura realizado pelo  Instituto, com o patrocínio da Visa, no qual os alunos podem entrar em contato com o aprendizado da técnica e com a obra de expoentes nesta área, como é o caso da gravadora carioca. Já a mostra de Cristiano Mascaro é referência para um outro programa, o projeto Captação de Imagem, curso patrocinado pela Porto Seguro, que possibilita jovens alunos a construir a fotografia, desde o modo mais elementar – caixas de lata com furo como objetiva -, até o uso de máquinas digitais, como linguagem e como arte. A individual de Dudi Maia Rosa, por sua vez, é uma oportunidade para os alunos de seu curso no Instituto Tomie Ohtake entrarem em contato com os mais recentes trabalhos do professor artista.

Anna Letycia (1929, Rio de Janeiro, RJ) participou, como um dos mais jovens valores, dos anos de ouro da gravura brasileira, décadas de 40, 50 e 60, quando o Brasil foi premiado nas Bienais de Veneza e de Paris. Aluna de Iberê  Camargo e Goeldi, a artista começa a atuar na geração dos figurativos, que inclui outros grandes gravadores como Carlos Oswald, Segall, Livio Abramo, Marcelo Grassmann, os gaúchos do Clube de Gravura de Porto Alegre, entre outros.

A artista participou também da passagem para o abstracionismo, ao lado de Fayga Ostrower, Edith Behring, Rossini Perez, Artur Luiz Piza, João Luiz Chaves, Tereza Miranda, Maria Bonomi, Roberto Delamonica etc. “Neste contexto, entre figuração e abstração, se dá a grande contribuição de Anna Letycia à gravura brasileira”, declara Ricardo Ohtake, diretor do Instituto Tomie Ohtake.

Os cerca de oitenta trabalhos reunidos nesta exposição revelam o virtuosismo da técnica, influência da primeira geração, e o espírito de renovação da seguinte, o que imprime o caráter contemporâneo de sua produção. Segundo Ferreira Gullar, Anna Letycia alarga o seu universo gráfico, não só por ampliá-lo tecnicamente, mas também por adotar, em face da arte de gravar, uma postura original e moderna. Para ele, os caracóis, as caixas, as formigas, os tatus, enfim os elementos do mundo ao redor da artista eram a gênese das formas que se transformariam na sua arte, caracterizada por um minimalismo mais expressionista do que racional. “Anna Letycia, fiel a sua natureza reflexiva, caminhou no rumo da tradução das formas figurativas em linhas e signos até chegar, mais tarde, a uma geometria figurativa de que são exemplos as suas caixas”, escreve  o crítico.

A artista carioca sempre trabalhou intensamente, não só realizando gravura em metal e pintura, como no ensino da arte, no MAM do Rio e no Ingá em Niterói, dois excepcionais centros de debate, destacando-se também no teatro, como cenógrafa e figurinista. Anna Letycia voltou a fazer gravura em metal, retomando com maestria os caramujos e as caixas, com traços mais suaves e movimento manual mais evidente. Ultimamente, realiza trabalhos  de figuras humanas com grandes formas de largas pinceladas na chapa, mantendo a sensibilidade da mão do artista na confecção da gravura.

Já a exposição Cristiano Mascaro – Todos os Olhares é uma rara oportunidade de se ver um panorama da trajetória do consagrado fotógrafo paulista (1944, Catanduva, SP), pois suas individuais sempre ocorrem em torno de um projeto específico. As 50 imagens (105 x 105 cm e 86 x 120 cm), selecionadas pelo crítico Agnaldo Farias em parceria com o próprio artista, partem da década de 80, quando a questão da paisagem urbana torna-se fundadora da sua obra autoral, chegando a trabalhos recentíssimos realizados em 2008, também relativos à cidade. “São os trabalhos que mais gosto de fazer, isto é, sair flanando pela cidade e ir de encontro às coisas”, costuma afirmar Mascaro.

“Ele é um mestre no que se refere à percepção da arquitetura como protagonista”, explica Agnaldo Farias. Segundo o crítico, sob o olhar do artista, prédios inteiros, empenas cegas ou pequenos detalhes construtivos parecem crescer de tamanho, como é o caso do flagrante do momento em que o Elevador Lacerda, esquecendo-se da sua função utilitária, projeta-se inchadamente sobre a baía de Todos os Santos, como uma construção dividida entre o desejo de ser um volume e a condição de plano escuro, próprio de sua natureza de fotografia. “Lavradas em preto e branco, o que comprova sua preocupação em ressaltar a fotografia como um problema de linguagem e não como um convite à ilusão, a obra de Cristiano Mascaro consiste em propor um conjunto de olhares demonstrando-os como uma modalidade de construção e não como simples operação dos sentidos”, completa.

Quando freqüentava a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo – FAU-USP, (1964 a 1968), Mascaro percebeu que gostava de fotografia e começou a experimentar. “Interessante que não foi ‘queimando filme’, característica de quem ganha uma câmera, ou quem inicia um processo de ‘bater fotos’, ele testava os filmes, procurava conhecer a luz na foto, já pesquisava profundamente o processo da fotografia”, explica Ricardo Ohtake, diretor do Instituto Tomie Ohtake e colega de Mascaro na faculdade.

Hoje Cristiano Mascaro é um dos mais respeitados fotógrafos do país. Em 2007 ganhou o maior prêmio no projeto Porto Seguro de Fotografia pelo conjunto de sua obra, a sua individual “Cidades reveladas” passou pelo Centro Cultural Correios, no âmbito do evento FotoRio – Rio de Janeiro, RJ, pelo Museu de Arte Sacra, em Belém, PA e pela Galeria ArtLounge, em Lisboa. No mesmo ano, entre as coletivas destacam-se “Mirame: uma ventana a la fotografia brasileña”, na Fototeca de Cuba, em Havana, e “Olhares cruzados: Cristiano Mascaro vê Berlim, Sibylle Bergemann vê São Paulo”, na cidade alemã.

Na abertura da exposição, Cristiano Mascaro também autografa o livro Desfeito e refeito, novo volume da Coleção Educação do Olhar, da editora BEĨ (128 páginas, R$ 82,50), que aborda a obra do fotógrafo sob seu próprio ponto de vista. Retirado de um ensaio do crítico literário Antonio Candido, o título representa, para Mascaro, a essência da fotografia: “desfazer o confuso emaranhado da realidade e – ao conceder perenidade ao instante impreciso e fugidio – refazê-la melhor”. A partir de entrevistas concedidas pelo fotógrafo, o livro acompanha sua formação, carreira e processo de criação, apresentando ainda a influência que nomes consagrados exerceram sobre seu trabalho, além de discutir as transformações impostas à fotografia contemporânea pelo rápido avanço das novas tecnologias.

Dudi Maia Rosa (1946, São Paulo, SP) passou dois anos se dedicando radicalmente a esta nova série composta de 22 obras (1,97 x 1,97 m). A exposição Eu sou um outro – Pinturas recentes de Dudi Maia Rosa reúne este conjunto de obras que será exibido pela primeira vez ao público, ocupando duas grandes salas do Instituto Tomie Ohtake: uma, com os trabalhos de texturas mais opacas, e a outra, reunindo aqueles nos quais a transparência se destaca. Segundo o crítico, “Eu sou um outro” é a frase de Rimbaud tomada pelo artista como um preceito, uma declaração de princípios que afirma seu gosto pelo diverso, pela liberdade em perceber, ou criar, um fio capaz de alinhavar coisas muito distintas entre si, unindo-as, apenas, sem a pretensão de prendê-las em definitivo.

Vista como pintura, mas criada como uma “não-pintura”, a obra de Dudi abandona a superfície da tela, as tintas e os pincéis e instaura um novo procedimento de construção do suporte. Com moldes de fibra de vidro preenchidos com resina de poliéster pigmentada ele cria sua pintura pelo avesso da “tela”. “Efetivamente, o trabalho do Dudi encontrou uma maneira de dar sobrevida à pintura como atividade de vanguarda. Dá para chamar de pintura porque dialoga com a tradição da pintura, mas não é tradicional”, explica Oswaldo Corrêa da Costa no livro “Dudi Maia Rosa e As Mortes da Pintura” (Ed. Metalivros, 2006). 

Segundo Agnaldo Farias, Dudi é atento a peculiaridades do nosso tempo, pois, com  materiais e procedimentos insólitos para pintura, explora características como brilho, opacidade e transparência, ao mesmo tempo em que conversa com outros artistas, de Monet e Volpi à Tarsila e Guston, dos quadrinhos a maços de cigarros.  “Há algo de industrial no processo com que suas pinturas são executadas, mas há um outro aspecto que vem se juntar a esse material e que igualmente interessa ao artista: o embaralhamento de suas próprias referências, do muito que lhe impressionou em seus mais de quarenta anos de produção artística, e que podem ser sofisticadas como uma tela de Claude Monet ou populares como os desenhos do Mickey”, completa.

Dudi Maia Rosa é um dos expoentes da geração 60, década em que cursa a FAAP e acompanha o ateliê de Wesley Duke Lee até ir morar na Inglaterra. Em 1972, volta ao país e freqüenta a Escola Brasil, antes como aluno, depois como professor. Na década de 70,  realiza trabalhos que têm como tema a cidade de São Paulo. Nos anos 1980, inicia suas experiências com os materiais, como a resina, que até hoje são marcas de sua reinvenção.

Exposições:
Abertura: 28 de fevereiro (convidados), às 20h
De terça a domingo, das 11h às 20h – entrada franca
Anna Letycia: até 13 de abril de 2008
Cristiano Mascaro – Todos os Olhares: até 4 de maio de 2008
Eu sou um outro – pinturas recentes de Dudi Maia Rosa: até 27 de abril de 2008

Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201 (Entrada pela Rua Coropés) – Pinheiros SP
Fone: 11.2245-1900

“Entre a Fé e a Febre: Retratos”, de Guy Veloso, agora em Sergipe

Depois de expor na própria Fábrica das câmeras e lentes Leica na Alemanha e no Museu de Arte Contemporânea de Santiago-Chile, a exposição documental do paraense Guy Veloso segue sua itinerãncia pelo Brasil (que incluiu Salvador, Brasília, Belém, Porto Alegre e Goiânia), agora na Galeria J. Inácio, em Aracaju. A produção é da fotógrafa Fatinha Silva.

Nesta mostra, Guy Veloso investiga a busca frenética pelo sagrado em diversas manifestações religiosas no interior profundo do Brasil. O projeto da exposição individual “Entre a Fé e a Febre: Retratos”, iniciado em 1998 – e que durou 07 anos –, contou com extensa pesquisa, visitas sistemáticas aos locais investigados (ao todo 08 Estados do Norte, Nordeste e Centro-oeste) em datas específicas (festas, procissões, romarias), codificação das fotografias no tempo e espaço, além de tomada de depoimentos em vídeo (mais de 80 horas gravadas).

De formação acadêmica em Direito (1991), Guy é fotógrafo desde 1989. Seu trabalho já foi publicado em jornais e revistas nacionais e internacionais. Suas obras compõem os acervos da University of Essex Collection of Latin American Art, Colchester-Inglaterra; Centro Português de Fotografia, Porto-Portugal; Casa das 11 Janelas, Belém-PA; Coleção Joaquim Paiva de Fotografia Brasileira Contemporânea entre outros. Guy Veloso é o fotógrafo representante do Brasil em uma série de exposições nos 7 países do Mercado Comum do Cone Sul organizada pela “Red Cultural del Mercosur”. Em 2000 e 2006 foi premiado no Salão Arte Pará, promovido pela Fundação Rômulo Maiorana

Em 2005 integra o livro “Fotografia no Brasil, Um olhar das Origens ao Contemporâneo”, de Angela Magalhães e Nadja Peregrino. Estas mesmas pesquisadoras ditaram: “As imagens de Guy Veloso surgem permeadas por um grafismo e uma luminosidade laboriosamente trabalhada em preto e branco, evidenciando um apuro técnico e a paixão permanente do autor pela linguagem fotográfica”.

Segundo o fotógrafo e pesquisador Orlando Maneschy, “Suas fotos nos conduzem por um país estranho, fascinante e sensual”. Já Michel Pinho, fotógrafo e historiador, ressalta “o cuidado na contextualização tanto histórica, através dos textos que acompanham as imagens, como etnográfica, com a conservação e catalogação do material religioso que o autor recebeu de presente de algumas pessoas que fotografou (amuletos, cartas, imagens rústicas de santos, ex-votos, capuzes, chicotes e mortalhas de penitentes etc.) durante as viagens ou depois delas, formando uma verdadeira coleção de ícones da religiosidade rural popular brasileira”. “Trata-se de um registro de valor para as futuras gerações”, conclui.

Saiba mais do trabalho de Guy Veloso em www.fotografiadocumental.com.br 

SERVIÇO:

De 26 de fevereiro a 24 de março de 2008

Endereço: Prolongamento da Rua Dr. Leonardo Leite, s/n, Aracaju-Sergipe
Prédio da Biblioteca Pública Epifânio Dória
Horário de Funcionamento: de segunda a sexta (das 8h às 22 h), sábados (das 8h às 12h)

Paço das Artes exibe visões estrangeiras do país na mostra Brasil: desFocos (O Olho de Fora)

A partir do dia 22 de janeiro (terça-feira), o Paço das Artes exibe a exposição fotográfica Brasil: desFocos (O Olho de Fora), que reúne 77 obras de 28 artistas estrangeiros, compondo um mosaico livre de estereótipos e preconceitos com relação ao país. Além de contar com trabalhos de fotógrafos dos EUA, da Inglaterra, da Espanha, da Itália, da China, da Sérvia, do México, de Portugal, da Alemanha e da Argentina, a exposição traz entre os destaques, fotografias do fundador da Pop Art, Andy Warhol, do cantor escocês David Byrne e do artista multimídia Matthew Barney.

Com curadoria de Paulo Herkenhoff e Nessia Leonzini, Brasil: desFocos (O Olho de Fora) destaca as visões particulares de cada artista para detalhes geográficos, arquitetônicos, culturais, antropológicos, sociais e etnográficos do Brasil, registrados em momentos distintos nas últimas três décadas. Os curadores optaram por selecionar exclusivamente trabalhos de artistas estrangeiros para, desta forma, desestabilizar um foco nacionalista sobre o Brasil, como explica Paulo Herkenhoff: “A exposição reúne artistas que, vindos de outras partes do mundo, usaram o meio fotográfico para desenvolver obras que problematizam o Brasil ou introduziam o Brasil em questões transversais de sua produção”.

Através da lente dos 28 artistas, a exposição sugere reinvenções e criações do Brasil, segundo a curadora Nessia Leonzini: “O olhar do artista, em qualquer circunstância, procura aquilo que os outros não vêem, transcende a simples observação. Ele mergulha em um laboratório de idéias e estímulos visuais que é, neste caso, o Brasil”.

Exibida pela primeira vez no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro, Brasil: desFocos (O Olho de Fora) será inaugurada para convidados no dia 21 de janeiro (segunda-feira) e ficará aberta para visitação do público no Paço das Artes de 22 de janeiro a 13 de abril. A entrada é gratuita.

As obras:
A exposição traz para São Paulo os retratos de Pelé feitos por Andy Warhol na década de 70, que serviram de modelo para a famosa tela da série de personalidades internacionais eternizados pelo pai da pop-art. Do universo pop, o músico escocês David Byrne se inspira no candomblé; e o norte-americano Matthew Barney registra destalhes do seu trio-elétrico “Da Lama Lâmina”, construído para o carnaval de Salvador em 2004.

A mostra conta ainda com uma homenagem ao centenário arquiteto Oscar Niemeyer, cujas construções em Brasília foram fotografadas pelos norte-americanos Robert Polidori, Todd Eberle, Kenny Scharf e pela italiana Luisa Lambri, com focos bastante distintos.

Pontos turísticos do Rio de Janeiro, o Cristo Redentor, o Corcovado e o Jardim Botânico sevem de cenários para as experimentações de Sally Gall, Laurie Simmons, Laurie Anderson, Jack Pierson e do chinês Tseng Kwong Chi (morto em 1990), que passou pelo país para posar para sua série de auto-retratos trajando uniforme militar do exército maoísta e óculos escuros – assim como fez em Nova Iorque e Paris. A exposição resgata ainda a descoberta da sensualidade do verão carioca na década de 80 pelo fotógrafo de moda Bruce Weber, autor do livro “O Rio de Janeiro” (1986).

Já a dupla Andrea Robbins & Max Becher (EUA-Alemanha) retrata diversas sinagogas hassídicas idênticas, construídas em estilo gótico a partir de um modelo original nova-iorquino, presente em diversas cidades do globo – inclusive em São Paulo. Já a espanhola Lara Almarcegui produziu um “Guia dos Terrenos Baldios de São Paulo”, questionando a distribuição do espaço em uma das cidades mais habitadas do mundo.

Por sua vez, a alemã Candida Höfer fotografa espaços desabitados, como estantes repletas de livro do Real Gabinete de Português de Leitura (no Rio de Janeiro) e imagens de santos da igreja da Ordem Terceira Secular de São Francisco (em Salvador).

E o argentino Sergio Vega é responsável pela única instalação da mostra: “Tropicalonge”, um espaço em que animais e árvores como o tucano, o jacaré e a bananeira servem de modelo e estrutura para prédios.

Os curadores

Nessia Leonzini: Curadora das mostras “Andy Warhol’s Polaroids”, “Vik Muniz: Divas e Monstros”, “Circuito Fechado: Os filmes e Vídeos de Bruce Nauman”, “Os Novos Conceitualistas: Fotografia Brasileira Contemporânea”. Concebeu, ainda, as exposições “Keith Haring” e  a itinerante “Vida Animada: os desenhos de Roy Lichtenstein”.

Paulo Herkenhoff: foi curador da Bienal Internacional de São Paulo (1998), do departamento de Pintura e Escultura do MoMA de Nova Iorque (1999 a 2002), do MAM-RJ e diretor do Museu Nacional de Belas Artes. Trabalhou, ainda, no catálogo da retrospectiva de Louise Bourgeois.

SERVIÇO
Exposição fotográfica: “Brasil: desFocos (O Olho de Fora)”
Artistas: Adam Fuss (Inglaterra); Andy Warhol (EUA); Andrea Robbins & Max Becher (EUA-Alemanha); Anselm Kiefer (Alemanha); Bruce Weber (EUA); Candida Höfer (Alemanha); Christopher Williams (EUA); Clifford Ross (EUA); Damián Ortega (México); David Byrne (Escócia); Jack Pierson (EUA); Julião Sarmento (Portugal); Kenny Scharf (EUA); Lara Almarcegui (Espanha); Laurie Anderson (EUA); Laurie Simmons (EUA); Luisa Lambri (Itália); Marina Abramovic (Sérvia); Matthew Barney (EUA); Ralph Gibson (EUA); Robert Polidori (EUA); Sally Gall (EUA); Sergio Vega (Argentina); Sharon Lockhart (EUA); Steve Miller  (EUA); Todd Eberle (EUA) e Tseng Kwong Chi (China).

Abertura para convidados: 21 de janeiro (segunda-feira), às 19 horas (com visita mediada pelos curadores às 20 horas).
Abertura para o público: 22 de janeiro (terça-feira), às 11h30.
Datas e horários de visitação: terça a sexta, das 11h30 às 19h; sábados, domingos e feriados, das 12h30 às 17h30.
Agendamento para visitas monitoradas: (11) 3814-4832 (ramal 04)
Entrada gratuita/Ar condicionado

Paço das Artes
Endereço: Avenida da Universidade, nº 01. Cidade Universitária. São Paulo
Tel.: (11) 3814-4832
Site: http://www.pacodasartes.org.br/

Livro de Festival Fotográfico na Holanda contempla 3 brasileiros e tem download grátis

Os fotógrafos Guy Veloso, Christian Cravo e Ricardo Labastier representaram o Brasil no Noorderlicht Photofestival, um dos mais antigos e famosos festivais de fotografia da Europa. Com o tema “Atos de Fé”, uma grande exposição foi montada na cidade de Groningen, nos Países baixos,  junto com o lançamento de um livro com 311 páginas. E o mais interessante: o livro pode ser baixado pela internet!
Veja no: http://www.noorderlicht.com/eng/fest07/hoofdGB.pdf