Archive for the ‘Sociologia’ Category

Exposição dos Direitos Humanos em SP

Para o 60º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Fundo Brasil de Direitos Humanos inaugura hoje (01/12) a exposição Direitos Humanos são direitos de todos, no Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2073). Com objetivo de discutir o histórico e a situação atual dos direitos humanos no país, a mostra reúne, por meio de fotos e textos, situações de violação e abuso aos direitos humanos sob quatro perspectivas: Mulheres, Terra e Território, Igualdade e Cidadania. 

No mesmo espaço do Conjunto Nacional, a mostra do Fundo Brasil de Direitos Humanos dialoga com a exposição de arte internacional Responsabilidades Humanas: responsabilidades de todos, com obras de artistas gregos, brasileiros e norte americanos, além de desenhos elaborados por crianças da Geórgia e do Brasil, sobre o tema: “Meio ambiente: Bem comum – responsabilidade comum”.

Direitos Humanos são direitos de todos Quando: 1º a 20 de dezembro, das 10h às 22h Onde: Conjunto Nacional – Avenida Paulista, 2073 – São Paulo – SP Entrada Franca

Ex-aliado de Margareth Thatcher analisa os momentos finais do modelo neoliberal

Durante os 11 anos em que foi governada por Margareth Thatcher, a Grã-Bretanha enfrentou a recessão econômica e a perda de identidade nacional, causando conseqüências, como o estresse social e o aumento da criminalidade, que são sentidos até hoje. A política neoliberal adotada pela “Dama de Ferro” e seus resultados são analisados em Jogos finais: questões do pensamento político moderno tardio, de John Gray, um ex-aliado da primeira-ministra conservadora.

Neste lançamento da Editora UNESP, Gray oferece uma síntese do que foi a administração Thatcher para, em seguida, criticar a política da chamada “nova direita” e seus ideais, valores, práticas e programas que comprometem as idéias, políticas, instituições e objetivos da democracia social de uma nação. Para o autor, o neoliberalismo empregado no contexto da globalização representa um grande perigo para as civilizações que o adotam, pois é incapaz de perceber os riscos econômicos provocados pelos mercados, mesmo quando produzem rendas ascendentes, e assim, são os principais responsáveis por gerar o individualismo social.

Os movimentos sociais ou “verdes” também são questionados por serem resultados da sociedade pós-moderna, expressando o mal-estar e a insatisfação causados pelo modelo neoliberal instalados em diversos países, onde os indivíduos são vítimas de instabilidade de suas instituições. Ao falar sobre o socialismo, o autor coloca que o principal projeto político agora é o de sujeitar as instituições de mercado à autoridade da “prática política nativa, e desse modo reincorporar os processos de mercado às culturas a cujo bem-estar eles existem para servir”.

Seguindo com a desmistificação do neoliberalismo, Gray descreve o fracasso desse ideal político, apontando para o seu momento de decadência, quando passar a travar os seus Jogos finais. Ainda que possa ser considerado um modelo ousado, não passa, em sua visão, de um projeto racionalista que visa a uniformização da diversidade humana. Para ele, algumas das esperanças de progresso do Iluminismo devem ser extintas para aprendermos a respeitar a variedade cultural e aceitar os limites ecológicos do planeta.

Sobre o autor – John Gray é professor de Política na Universidade de Oxford e de Pensamento Europeu na London School of Economics. É autor de vários livros, entre os quais Voltaire e o Iluminismo (Editora Unesp,1999), além de colaborar regularmente com vários periódicos, como Guardian, New Statesman, TLS e New York Times Book Review.

Título: Jogos finais: questões do pensamento político moderno tardio
Autor: John Gray
Tradução: Magda Lopes
Número de páginas: 312
Formato: 14 x 21 cm
Preço: R$ 55
ISBN: 978-85-7139-838-2

O legado da escravidão na História do Brasil

Emília Viotti da Costa é referência obrigatória quando o assunto é História do Brasil. Seus estudos revolucionaram o entendimento que temos sobre a escravidão e a luta dos negros no Brasil, focando os setores sociais que tradicionalmente ficavam à margem da História Social. Isso fica claro em A Abolição, onde relata o processo abolicionista que libertou os brancos do fardo da escravidão (o Brasil foi o último país ocidental a fazê-lo) e abandonou os negros à sua própria sorte.

Neste livro que acaba de ganhar uma nova edição pela Editora Unesp, com o acréscimo de um capítulo inédito, Emília Viotti aponta para a necessidade de entender o legado deixado pela escravidão, já que “trezentos anos de opressão não se eliminam com uma penada”. Deste modo, se a história a ser contada é a da emancipação do povo brasileiro, deve-se entender a Abolição apenas como o primeiro passo. Uma conquista, de efeito limitado, que é aqui narrada a partir de uma série de questões. “Por que se repudiava, em 1888, uma instituição que durante séculos fora aceita sem objeção? Por que tanta urgência no encaminhamento do projeto? Como explicar que a maioria dos parlamentares, muitos dos quais tinham sido eleitos com o apoio de senhores de escravos, aprovasse a lei, sem maiores debates? Por que os senhores de escravos não tentaram impedir, de armas na mão, o ataque à sua propriedade que a própria Constituição garantia? Que papel desempenharam os negros e os escravos nesse processo? Por que a Abolição tardou tanto a ser decretada no Brasil?”

Perguntas que guiam a narrativa onde se conta história da Abolição, mas que repercutem ainda hoje, quando “o arbítrio, a ignorância, a violência, a miséria, os preconceitos que a sociedade escravista criou ainda pesam sobre nós”. A autora pondera que, “se é justo comemorar o Treze de Maio, é preciso, no entanto, que a comemoração não nos ofusque a ponto de transformarmos a liberdade que simboliza em um mito a serviço da opressão e da exploração do trabalho”.

Sobre a autora – Emília Viotti da Costa, nascida em São Paulo, graduou-se pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, sendo livre-docente pela mesma universidade. Aposentada em 1969 pelo AI-5, lecionou em várias universidades dos Estados Unidos, entre as quais a Tulane University e a University of Illinois. Foi Full Professor na Yale University de 1973 a 1999. É autora de Da senzala à colônia; Da Monarquia à República; 1932: interpretação contraditórias; Coroas de glória, lágrimas de sangue; A rebelião de escravos de Demerara em 1823; O Supremo Tribunal Federal e a construção da cidadania, além de vários artigos em revistas especializadas. Dirige a coleção Revoluções do Século 20, da Editora Unesp.

Título: A Abolição
Autora: Emília Viotti da Costa
Número de páginas: 144
Formato: 14 x 21 cm
Preço: R$ 27
ISBN: 978-85-7139-832-0