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Mostra Venezia Cinema Italiano III, no RJ, exibe filmes de diretores italianos inéditos no país

A Embaixada da Itália e Instituto Italiano de Cultura promovem a Mostra Venezia Cinema Italiano III, de 28 de novembro a 4 de dezembro, no Armazém Digital, no Leblon. Serão exibidos sete filmes de diretores italianos que integraram a 64ª edição da Mostra Internacional de Arte Cinematográfica de Veneza. Seis deles representam o cinema italiano contemporâneo, e para completar a lista será apresentado um longa-metragem do conceituado diretor Bernardo Bertolucci, “A estratégia da aranha”, em versão restaurada. O filme que abre a Mostra na quarta, 28, é “Il Doce e l´amaro”, de Andrea Porporati, em sessão somente para convidados. A partir de quinta, 29 de novembro, os demais filmes terão exibições gratuitas, abertas ao público.

Os filmes selecionados foram apresentados em diferentes seções da Mostra Internacional de Arte Cinematográfica de Veneza (Concurso, Horizontes, Semana da Crítica, Dias dos Autores e Retrospectivas), que ocorreu de 29 de agosto a 8 de setembro de 2007. É o segundo ano da Mostra no Rio e as projeções também serão realizadas em Brasília, São Paulo e pela primeira vez se estenderá também a Recife. Todas as apresentações ocorrerão às 20h30 e terão entrada franca.

O objetivo da Mostra é chamar a atenção sobre o cinema italiano contemporâneo que nos últimos anos está novamente oferecendo ao público e à critica internacional longas-metragens valiosos e estimulantes. O patrimônio do cinema italiano não apenas é composto pelos nomes históricos. Hoje as películas dos “novos” autores italianos continuam a estar entre as mais amadas pelo público internacional, projetando histórias, idéias e emoções no mundo, obtendo sucesso no Oscar e nos principais Festivais Internacionais.

Os parceiros da Embaixada da Itália no Brasil e da Bienal de Veneza na realização do evento são a TIM Brasil, os Institutos Italianos de Cultura em São Paulo e no Rio de Janeiro e o Consulado da Itália em Recife, o Governo do Distrito Federal, as Prefeituras das cidades de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Recife, e a empresária ítalo-brasileira Cristiana Arcangeli.

Os filmes que serão apresentados no Armazém Digital Leblon são:

1)      Quarta-feira, 28 de novembro, às 20h30 – SESSÃO FECHADA PARA CONVIDADOS – Il dolce e l’amaro (O doce e o amargo) de Andrea PORPORATI – Itália, 98’; com Fabrizio Gifuni, Luigi Lo Cascio, Donatella Finocchiaro;
2)      Quinta-feira, 29 de novembro, às 20h30 – L’ora di punta (O horário de pico) de Vincenzo MARRA – Itália, 96’; com Fanny Ardant, Michele Lastella, Giulia Bevilacqua;
3)    Sexta-feira, 30 de novembro, às 20h30 – La ragazza del lago (A garota do lago) de Andrea Molaioli – Itália, 109’; com Tony Servillo, Fabrizio Gifuni e Valeria Golino;
4)   Sábado, 01 de dezembro, às 20h30 – Non pensarci (Nem pensar) de Gianni Zanasi – Itália, 105’; com Valerio Mastrandrea e Caterina Murino;
5)   Domingo, 02 de dezembro, às 20h30 – Hotel Meina de Carlo Lizzani – Itália-França-Sérvia, 110’, com Marta Bifano, Federico Costantini, Ivana Lotito;
6)   Segunda-feira, 03 de dezembro, às 20h30 – Valzer de Salvatore Maira – Itália, 90’, com Valeria Solarino, Maurizio Micheli;
7)  Terça-feira, 04 de dezembro, às 20h30 – Strategia del ragno (A estratégia da aranha) (1970) – versione restaurata – de Bernardo Bertolucci, Italia, 100’; com Giulio Brogi, Alida Valli, Tino Scotti;

Sinopses

Il dolce e l’amaro
Começo dos anos oitenta: para Saro Scordia Cosa Nostra é algo grande e merecedor de respeito. Gaetano Butera, um mafioso de alto escalão, começa a ficar de olho neste menino pobre, mas inteligente e corajoso e deixa ele entender como, ao provar sua valentia, Saro terá um futuro entre os homens de honra.
Começa assim uma viagem através da existência doce e amarga de um homem que fez a escolha errada. Um grande amor, rebelde, irá subverter tudo causando um choque normalidade cotidiana do mal contra a “banalidade do bem”.

L’ora di punta
Filippo Costa, jovem fiscal da receita, de classe social modesta, alimenta uma enorme ambição que o distancia de seus colegas e da sua origem. A princípio, pensa em fazer carreira dentro do trabalho que escolheu, mas depois, quando deve enfrentar diretamente a corrupção, entende que pode mirar muito mais alto. Na sua irresistível ascensão social, ele é ajudado por Caterina, uma mulher mais velha do que ele, bela, culta, elegante, muito rica e muito apaixonada. Graças a ela, Filippo entra em contato com o mundo das altas finanças e começa a escalada a um nível social economicamente de prestígio. Mas para não ser esmagado pelas cínicas regras daquele mundo, Filippo é obrigado a abandonar qualquer resíduo de escrúpulo moral e humano.

Hotel Meina
O filme é baseado em fatos reais narrados em um livro de Marco Nozza.
Lago Maggiore, setembro de 1943. Um grupo de seis judeus italianos, provenientes da Grécia, está hospedado no Hotel Meina, de propriedade de Giorgio Benar, um judeu com passaporte turco, ou seja, cidadão de um país neutro. Depois de 8 de setembro, dia do armistício entre Itália e os Aliados, uma divisão da SS chefiada pelo comandante pelo comandante Krassler chega a Meina. Dois jovens namorados, Noa Benar e Julien Fendez, são violentamente separados pelo brutal aparecimento dos nazistas. Os judeus são enclausurados no hotel e começa uma semana de expectativas, terror e esperança. É uma estranha convivência entre judeus, hóspedes não judeus do hotel e SS. Discute-se a possibilidade de fuga. Os próprios alemães esperam ordens. Para eles, talvez esteja também se aproximando o fim da guerra. Então começa a escalada da violência. Os SS separam os judeus em pequenos grupos e os levam para fora do hotel para interrogá-los – é o que dizem – no Comando da cidade vizinha de Baveno. Na verdade, eles os matam e depois os jogam no lago. Até a tentativa de salvá-los, feita por uma alemã antinazista filiada a uma rede que opera entre a Suíça e a Itália, resulta vã. Os últimos a serem executados pelas balas nazistas são exatamente Julien Fendez, seus dois irmãos menores e o avô. Noa, depois de perder a esperança de salvá-los, consegue fugir com o pai, a mãe e o irmão para a Suíça.

La ragazza del lago
São oito da manhã quando Marta, comendo uma rosquinha, está voltando para casa depois de ter dormido na casa de uma tia. Um furgão pára: Mario, um rapaz com deficiência mental, convence-a a ir com ele para seu sítio. Logo é dado o alarme, Marta tem só seis anos. Na cidadezinha chega o comissário Sanzio, um policial experiente, transferido há pouco tempo para aquela região afastada. Siboldi, seu colega mais jovem, morador do local, torna-se seu guia, inclusive para apresentar as ligações familiares e afetivas da pequena comunidade. Os dois, acompanhados por Alfredo, fiel colega de Sanzio dos tempos da delegacia de homicídios, são obrigados a ficar na cidade pois outro crime está para acontecer; um crime nascido, seguramente, dentro de uma das famílias da cidade, fruto de uma ligação afetiva ou sentimental. Todos os que Sanzio encontra e interroga podem ser os potenciais assassinos. O comissário envolve-se nessa história de maneira insólita. Até mesmo sua família é atingida por um grande sofrimento que acontece paralelamente à investigação.

Non pensarci
Stefano Cardini toca desde os cinco anos e do conservatório acabou aos poucos transformando-se em um pequeno star do punk rock independente. Mas os tempos de suas fotos nas capas das revista já se passaram e agora, aos trinta e seis anos, olha ao seu redor: toca com jovens endemoniados de vinte anos, não tem namorada nem cama onde dormir, restou-lhe apenas uma guitarra e um carro com portas que não se abrem… Enfim, chegou o momento de procurar proteção, de retornar à família que não vê há muito tempo, de refletir. Mas em casa encontra tudo mudado. O pai, recuperando-se de um infarto, joga golfe; a mãe assiste palestras sobre ‘técnicas de xamanismo’; Michela, a irmã mais moça, largou tudo para trabalhar com golfinhos num parque aquático e Alberto, o irmão mais velho, carrega toda a ‘terrível’ responsabilidade da fábrica de cerejas em conserva da família… Pego, quase de surpresa, por uma série de revelações e descobertas familiares inacreditáveis, Stefano vê-se obrigado, a contragosto, a ocupar-se, absurdamente e a seu modo, de todos. E afinal, talvez seja essa a forma pela qual, depois de tanto tempo e sem se dar conta, acabe ocupando-se de si mesmo.
Por trás do tom (hilariante) de comédia de gerações, vislumbra-se um balanço, no mínimo amargo, do nosso país; aquela família desestruturada, mas falsamente patriarcal, nos dá um diagnóstico pouco tranqüilizador, no qual os afetos e os interesses misturam-se sempre da pior maneira. E aí sim, talvez compense lutar, mesmo que essa luta nos faça sofrer. Deixa-se claro que omitir-se não é a solução, cada um tem o seu peso e as suas responsabilidades… Um belo retorno e a confirmação de um verdadeiro amadurecimento do último poeta de nossa província, que parou de filmar há anos depois dos primeiros trabalhos (Nella mischia, A domani, Fuori di me).

Valzer
Este filme foi feito em um único plano de seqüência. Mesmo as partes em flashback não interrompem o fluxo contínuo da narração principal porque são simultâneas a ela. Não se trata de virtuosismo estilístico, nem de uma exibição tecnológica. O filme foi concebido dessa forma, desde sua primeira inspiração narrativa e musical.
A Valsa [Valzer] do título é tocada em cena por um pequeno conjunto musical que dá o andamento musical da história, articulada em dois níveis diferentes: o arquitetônico e o narrativo.
Em uma hora e meia (o tempo da projeção coincide com o da ação) a vida de duas pessoas muda de modo definitivo: nos andares inferiores de um grande hotel, na área de serviço, uma jovem camareira e um homem estão em uma situação que coloca em crise qualquer identidade e certeza. A história de Assunta, de Lucia e de seu pai: um pai que acredita ter encontrado sua filha depois de vinte anos de ausência, mas na verdade encontra uma mulher desconhecida que assumiu sua identidade.
Ao mesmo tempo, nos andares superiores, dirigentes de clubes de futebol representam a si mesmos no cinismo e na sofreguidão de seus gestos, procurando entender, e conter, o vendaval do escândalo que se abateu sobre eles.
As duas histórias seguem paralelas e em certo momento irão encontrar-se, causando um curto-circuito dramático. O plano de seqüência une as histórias e sub-histórias em uma única, e aparentemente leve, valsa que, dessa forma, torna-se um tipo de atordoamento.

La strategia del ragno
Athos Magnani, que tem o mesmo nome do pai, chega a Tara, povoado da bassa padana, para investigar sobre sua morte. Para os habitantes de Tara, Athos pai é um herói da luta contra o fascismo, que havia sido morto porque preparara, com outras pessoas, um atentado terrorista contra Mussolini. O jovem Athos encontra Draifa, a amante oficial do pai, e três amigos dele: o provador de salames Gaibazzi, Costa, proprietário de uma sala de cinema, e o professor primário Rasori, além de um dos inimigos, o latifundiário e ex-fascista, Agenore Beccaccia, acusado, entre outras coisas, de ser o responsável pelo assassinato do pai. Draifa e os três amigos relembram, em uma série de flashbacks, o verão de 1936, os planos do atentado ao Duce, o seu insucesso devido a uma denúncia, e como o traidor, Athos Magnani pai, dixou-se matar pelos companheiros. Athos Magnani foi um traidor ou um herói? Athos filho desiste de entender e decide ir embora. Contudo, aparentemente, em Tara, já há algum tempo, não passa nenhum trem.

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