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A saga do jogo que deu o primeiro título mundial ao Santos vira livro

“Existem histórias que precisam ser contadas sempre, a história desse jogo é uma delas”, é dessa maneira simples e direta que o escritor Odir Cunha define seu mais novo livro, Donos da terra, da Editora Realejo (184 páginas, R$ 35, em média), narra de maneira inédita todos os momentos do jogo Santos x Benfica, em 1962, que deu o primeiro título mundial interclubes para o clube da baixada santista, e que nesse ano comemora o 45º aniversário.

Para fazer o livro, Odir não se ateve a entrevistar apenas os heróis do Santos. Ele foi buscar o outro lado da história: os jogadores do Benfica, entre eles Eusébio, Simões, Zé Augusto, Humberto, Cruz e Mário João, destes, só último não esteve em campo, pois decidiu trocar a carreira de jogador para ser funcionário de uma empresa, dias antes da partida final. A história do lateral-direito do Benfica é uma das informações, entre outras, do livro.

Com o relato do time adversário foi possível também, pela primeira vez, ter um relato dos 2 gols feitos pelo Benfica. Pela primeira vez o perdedor é tratado com a devida reverência. Afinal, o Benfica era o bicampeão europeu, tinha a base da Seleção de Portugal e a partida só pôde entrar para a história porque os portugueses não apelaram, mesmo sendo goleados em seu estádio.

Há também a contextualização histórica, que mostra bem como era aquela época turbulenta do início dos anos 60, relembrando fatos acontecidos naquele dia, mês e ano. O jogo é descrito lance a lance, em detalhes precisos. É uma grande vantagem, já que alguns sites esportivos atuais erram até na ficha técnica da partida. Além disso, o livro traz as dúvidas dos técnicos, as expectativas da imprensa de Brasil e de Portugal, enfim, os bastidores e as conseqüências desta partida para os destinos de Santos e Benfica.

Além das histórias, curiosidades e detalhes da partida, o livro tem outra preciosidade: 10 fotos inéditas do jogo, extraídas diretamente dos fotogramas do Canal 100, o único registro conhecido do jogo. Não há fotos dessa partida e essas cenas nunca foram mostradas. Inclusive, uma delas ilustra a capa.

Segundo o autor nunca um título mundial seria novamente conquistado com uma vitória de goleada sobre um bicampeão europeu e no campo do adversário. E isso numa época em que se vivia o auge do futebol-arte, os rivais tinham um craque como Eusébio, e representavam a base da Seleção de Portugal que humilharia o Brasil quatro anos mais tarde, na Copa da Inglaterra. Com esses argumentos, para Odir “este jogo é o mais importante da história do Santos, da carreira de Pelé e, por extensão, de um time brasileiro de futebol”.

A orelha do livro é do também jornalista Xico Sá, que dá o tom do conteúdo do livro da seguinte maneira: “Por mais que você, amigo, saiba e tenha visto imagens sobre a noite em que o Santos F.C. conquistou a terra, no glorioso 11 de outubro de 1962, mesmo assim encontrará neste livro um baú de novidades e arrepios que voltam à flor da pele como em um desses momentos em que falamos de coisas sagradas e sobrenaturais”.

O lançamento do livro será feito no próximo dia 26, no Bar Paulicéia, na rua dos Pinheiros, 473, a partir das 19 horas.